quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Uma carta pra você (2ª)

É bom se comunicar com pessoas queridas. Melhor mesmo é ter boas coisas pra contar. Melhor ainda é não conseguir resumir tanta coisa. Tomara que você mande uma. Tomara que você receba uma..

Oi minha Preciosa,

Vem me ver! Ainda está dando pra controlar a saudade, mas espero que doze meses seja o limite de distância. Só não insisto mais porque o principal você já sabe: que eu estou bem, de verdade. Sabes que quanto mais vai passando mais conversa acumula. Tentava pensar numa forma de resumir ou traduzir o que estou vivendo. Desistia na mesma hora.

Em outros momentos tentava entender porque justo a pessoa usada por Deus para encontrá-lo passou tanto tempo longe. Justo quando me rendi de vez a Ele. Não me afligi, pois minhas reservas de alegria estão excelentes. Glórias a Ele! Agora, quando me lembro de ti, duas coisas me deixam pensativas.

O primeiro é o desejo de ser, para outras pessoas, o que fostes para mim: um presente, uma amiga, uma pessoa usada por Deus para falar comigo. Eu sei que assim será. Anseio por isso de todo o coração, pois Jesus é lindo e precisa ser conhecido. Há muitas formas de conhecê-lo e o jeito que Ele escolheu para mim foi o mais suave possível. O que poderia haver de melhor do que alguém tão doce voltar para a minha vida, trazendo uma grande novidade, uma solução para mim?

Quando éramos crianças, perder o contato com uma amiga era coisa grave. Não havia e-mail, Orkut, nem celular. Nessas horas Belém ficava gigante. Como na ocasião em que me atrevi a sair de casa sozinha, pra ir até o teu antigo endereço, perguntar por ti. Superei o medo, pois anteriormente havia me perdido no caminho (e chorado de nervosismo).

Nosso reencontro, já em tempos de vestibular, poderia ter sido cinematográfico. Seria, se não fosse a nossa patetice. Até hoje não entendo como as duas se encararam a bordo do ônibus e duvidaram do que estavam vendo. Quando conclui: “é ela”, o motorista já estava cantando pneus. Um tapa na testa e o desespero: “e agora? Quando vou encontrar ela de novo?”

Mas, dessa vez, o Senhor havia nos separado, em “gigantescas” duas quadras de distância entre a tua casa e a minha. Hehehe! Alguns vizinhos trazem bolo e xícaras de açúcar. Tu trazias a palavra de Deus, pois nunca te faltava. Nunca duvidei que falavas do Deus que eu tanto procurava. Só que eu não me julgava digna de tê-lo, nem me permitia ser amada. Discernimento sobre coisas sobrenaturais eu não tinha, mas via como, de forma clara, Ele falava através de ti. Nessa época o Pai confiou uma filha no teu colo.

Nos anos seguintes, mesmo após aceitá-lo, tu continuavas essencial na minha caminhada, mesmo não morando mais aqui. Quando minha teimosia e confusão extrapolavam eu sabia que Ele estava prestes a te mandar pra cá. Era quando tu me embalavas novamente, com as doses de amor que Ele derramava em ti.

O segundo aspecto é justamente a revelação do amor de Deus. “Puxa, tu já me querias né?”, conclui. Isso fica claro por ter te conhecido na infância. Há coisas que Deus providencia sem que possamos entender. Parecia coisa corriqueira: passar um ano a mais no jardim da infância. Mas sem esse retardo, feito pela mamãe, eu não teria te conhecido. Eras muito triste, e por isso testemunhei tua transformação no reencontro.

Hoje entendo o que é ser escolhida; ter uma marca; um chamado. Nem imaginas a experiência que tive ao teu lado, quando Jesus selou de vez minha vida. A voz doce da minha preciosa não foi o suficiente para me convencer a buscar a presença dEle, na ocasião daquele show, da gravação do DVD. Era constrangedor dizer que não gostava nem um pouco do ministério que tu adora.

Difícil mesmo era revelar que eu estava é fugindo de Deus, por orgulho. Eu olhava para os outdoors e batia o pé reafirmando que não ia. Ao meio-dia daquele sábado Ele falou comigo pela primeira vez, sem intermédio de ninguém. Mesmo sem ouvir sua voz eu entendi o delicado convite (e intimato). Sobrou até um restinho de crédito no celular, suficiente pra te mandar aquela mensagem. “O que aconteceu?”, perguntaste toda boba. Baixinho respondi: “Deus me convidou. Não posso recusar” (não era tão lesa assim).

Eu não comentei nada contigo, mas Ele revelou Seu desejo para essa terra. Minha participação nisso tudo ficou clara somente nesse ano. Cinco anos parecem uma eternidade para que uma “ficha caia”, mas sei que do jeito que aconteceu foi de acordo com o cálculo do Senhor. Sem tirar nem por.

De tão amoroso e misericordioso Ele não me cobrou nada pelos anos que passei na janela. Humildemente eu sentei na cadeira da alfabetização espiritual para começar tudo de novo. Mas como o Espírito Santo é o que ensina e nos faz lembrar de todas as coisas (Jo 14:26) eu fui avançando a passos largos. Graças a Ele eu já não preciso de ti da forma como eu precisava antes, como uma criança que se alimentava de leite. Agora vem o alimento sólido (Hb 5:14). Sei que agora o Senhor te usará de outras formas.

Nossa amizade é abençoada. Às vezes, espiritualmente, parecia que tu pegavas o elevador para subir e eu pra descer. Às vezes era o contrário. Não sei como foi o teu ano, mas desejo que quando vieres me ver (vem me ver), estejamos nadando no mesmo rio. Tu me dizias e agora também te digo: somos templo do Espírito Santo (I Co 3:16). É muita responsabilidade, mas a recompensa vem. Mas isso você já sabe.

Preciosa, você é preciosa para mim. Tu e tua casa são uma bênção. Eu também sou e minha casa também será. Mande um abraço a sua mãe, pois, espiritualmente, vejo que ela foi a minha também. Obrigada por cada oração, por todo o carinho. Jesus é demais. Ele faz tudo direitinho. E direitinho eu me apaixonei.

Um ano novo daqueles para você (daqueles que só o Senhor pode dar)!

Vem me ver,
MC

Obs: Senhor, obrigada pela Preciosa. Continua abençoando a vida dela!
Site MANT Belém

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