sábado, 20 de março de 2010

De volta para casa

O livro de Rute relata acontecimentos da vida de uma família que morava em Belém, que em hebraico significa "casa do pão". Isso indica que eles viveram ali tempos de prosperidade, fartura. Era assim até que:

E sucedeu que, nos dias em que os juízes julgavam, houve uma fome na terra; por isso um homem de Belém de Judá saiu a peregrinar nos campos de Moabe, ele e sua mulher, e seus dois filhos" (Rute 1:1).

O relato das ações dos juízes, narradas na Bíblia, na maioria traz histórias de decadência. Eram homens levantados para comandar mas que não davam bons exemplos, pois eram infiéis e injustos.

Aquela família estava sofrendo por causa de uma crise que não dependia deles, mas dessa infidelidade e injustiça do governo.

Os nomes de cada membro revelam bastante sobre o contexto dessa família.

"E era o nome deste homem Elimeleque, e o de sua mulher Noemi, e os de seus dois filhos Malom e Quiliom, efrateus, de Belém de Judá; e chegaram aos campos de Moabe, e ficaram ali" (v2).
Elimeleque significa "Meu Deus é rei". Noemi é "agradável, formosa". Os nomes expressavam o estado emocional e espiritual deles. Quando aquele homem tinha Deus como rei exercia o sacerdócio, que fazia parte de seu papel como marido. Quando temos Deus como rei temos uma vida agradável.

Malom significa "canção" e Quiliom "perfeição". Isso mostra o estado de espírito daquela família. Tudo estava perfeito até o início da crise na cidade. A crise entrou naquela casa e a decisão foi de ir para Moabe. 

Os moradores de Moabe, que significa "terra desejável", eram um dos povos perseguidores de Israel, que foi amaldiçoado por Deus.

"E morreu Elimeleque, marido de Noemi; e ficou ela com os seus dois filhos, os quais tomaram para si mulheres moabitas; e era o nome de uma Orfa, e o da outra Rute; e ficaram ali quase dez anos" (v3-4).
Enquanto era rei na vida deles o Senhor os sustentava em todas as coisas. Mas esse reinado morreu naquela família. O "Meu Deus é rei" morreu. Já os filhos, "canção" e "perfeição", escolheram casar com mulheres que não tinham os mesmos princípios deles. 

"E morreram também ambos, Malom e Quiliom, ficando assim a mulher desamparada dos seus dois filhos e de seu marido" (v5).
Aquela mulher que era agradável, dócil, que tinha tudo na vida, de família perfeita, ficou desamparada. Nos momentos de crise muitas pessoas tiram o reinado de Deus de suas vidas. 

O que Noemi não entendeu é que, por questão de comida não era justificável sair da casa do pão. Ela não entendeu que não se tratava de uma questão de fartura e sim de cobertura. Indo para Moabe eles ganharam comida mas perderam a cobertura de Deus.

O compromisso com o Senhor era a chave do sucesso quando moravam em Belém. Quando isso foi quebrado veio a maldição. A fertilidade de uma terra nunca foi garantia de ausência de crise. Se mudar não é solução para a crise. A ganancia dos olhos nos corrompe e nos tira da cobertura.

Diferentes estudos mostram que Malom também pode significar "enfraquecido e cansado". Já Quiliom seria "todo despedaçado". E assim foi quando a família se afastou da bênção. 

"Porém ela lhes dizia: Não me chameis Noemi; chamai-me Mara; porque grande amargura me tem dado o Todo-Poderoso" (v20).
Noemi, que agora queria ser chamada de "amarga", estava tão doente e ferida que culpou Deus por tudo o que aconteceu, e não a atitude do marido. Mas havia chegado a notícia de que em Belém havia voltado a ter pão. 

"Por isso saiu do lugar onde estivera, e as suas noras com ela. E, indo elas caminhando, para voltarem para a terra de Judá" (v7).
Noemi, no meio do caminho, ordena que as noras voltem, pois certamente não queria a responsabilidade de levar duas pessoas consigo. Isso porque ao mesmo tempo em que tiinha alguma esperança estava cheia de incertezas, oscilando na fé. Ela duvidava do amor de Deus, das promessas, da restituição. 

Seus olhos estavam voltados para si mesma e não para o potencial de Deus na vida dela. Quando a crise abafa a fé contaminamos os outros a não acreditar também. Ficamos presos no passado ou limitados a pensar: "não é pra mim".

"Então levantaram a sua voz, e tornaram a chorar; e Orfa beijou a sua sogra, porém Rute se apegou a ela" (v14).
Noemi achava que havia sido amaldiçoada por Deus. Rute não havia morado em Belém mas naqueles dez anos em que Noemi esteve em Moabe deve ter ouvido muitas histórias daquela terra. Histórias de prosperidade, felicidade. Histórias que Noemi havia largado mas Rute abraçou, pois a história do Deus vivo gerou fé e seu coração. Rute estava sedenta para conhecer esse Deus.

"Disse, porém, Rute: Não me instes para que te abandone, e deixe de seguir-te; porque aonde quer que tu fores irei eu, e onde quer que pousares, ali pousarei eu; o teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus" (v16).
Ao chegarem em Belém todos se comoveram, mas Noemi não aceitou acolhimento. Estava tão ferida que caminhou até a promessa sem fé. Nesse sentido a companhia de Rute foi importante para que ela fosse até o final, sem desistir no meio do caminho.

As duas chegaram no princípio da colheita da cevada. 

"E tinha Noemi um parente de seu marido, homem valente e poderoso, da família de Elimeleque; e era o seu nome Boaz. E Rute, a moabita, disse a Noemi: Deixa-me ir ao campo, e apanharei espigas atrás daquele em cujos olhos eu achar graça. E ela disse: Vai, minha filha" (Rute 2:1-2).
Boaz significa "redentor". Quando voltamos para o centro da vontade de Deus as tendas são alargadas. Rute ia colher o resto, a sobra da colheita, mas ela havia entendido que o Deus de Noemi era valente e poderoso. Ela foi atrás de princípios para os quais não foi educadar, mas aprendeu ao decidir seguir a sogra.

Boaz não era um homem novo, pois era da mesma geração de Elimeleque. Pela experiência ele certamente não se entusiasmava com aparências. Nenhum trecho cita se Rute era formosa ou não. 

"Depois disse Boaz a seu moço, que estava posto sobre os segadores: De quem é esta moça? E respondeu o moço, que estava posto sobre os segadores, e disse: Esta é a moça moabita que voltou com Noemi dos campos de Moabe" (v5-6).
Ele ficou impressionado em saber que aquela moça havia aceitado o seu povo.

"Então disse Boaz a Rute: Ouves, filha minha; não vás colher em outro campo, nem tampouco passes daqui; porém aqui ficarás com as minhas moças" (v8).
Boaz era contemporâneo da família de Noemi quando a crise chegou, mesmo assim não saiu de Belém. O que Noemi não havia entendido na época é que a graça de Deus bastava, a fidelidade Dele era suficiente. Boaz ficou e prosperou naquela terra, a ponto de comprar Rute e Noemi.

Quando Noemi voltou para o centro da vontade de Deus pôde realizar sonhos que achava que não iam mais acontecer. Rute se casou com Boaz e os dois tiveram uma criança, que passou a ser cuidada por Noemi - era o neto que ela não teve.

Noemi pôde educar esse bebê segundo os princípios bíblicos. Obede foi o bisavô do rei Davi, da geração de Jesus Cristo. Ela ensinou a palavra que geraria o reinado de Davi. Deus nos fez para a excelência e usou Noemi para preparar o caminho para o homem que mudaria a história de Israel - um governante fiel e justo, ao contrário dos juízes.

"Mas em todas estas coisas somos mais do que vencedores, por aquele que nos amou.
Porque estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir,
Nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor" (Romanos 8:37-39).


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