terça-feira, 17 de junho de 2008

Muito além da idade

Quando Deus decidiu estabelecer uma aliança com a humanidade ele escolheu alguém para ser a semente de multidões. O escolhido receberia as promessas divinas para ter uma multiplicação grandessíssima. Tu serás pai de muitas nações, reis sairão de ti, dos teus descendentes farei uma grande nação – dizia o Senhor. Para uma tarefa tão perfeita porque não escolher um jovem na chamada “flor da idade” para essa multiplicação?

Mas Ele já tinha um escolhido. Ao invés de um rapaz Deus escolheu Abraão, um homem de noventa e nove anos de idade, casado com uma mulher estéril de noventa anos. A lógica humana concluiria que aquele homem estava com o “pé na cova” e jamais poderia ser uma semente, muito menos de multidões. Quem no lugar dele não diria: “desculpe Senhor, terás que escolher outro, pois estou velho demais”?


Ao escolher alguém que se julgava incapaz, até mesmo para receber uma bênção, para realizar uma tarefa que se estenderia a toda a humanidade, Deus mostrou imensa sabedoria. Foi no início, e não no fim da Palavra que o Senhor ensinou que tudo poderíamos se andarmos com Ele. E não seria a idade uma barreira. É um ensinamento muito necessário nos dias de hoje, quando a sociedade faz o idoso acreditar que seu tempo já passou.

Fragilidade do Idoso

Para conhecer os idosos nas condições de saúde e bem-estar será realizada em 20 cidades brasileiras, incluindo Belém, a pesquisa Fragilidade em Idosos Brasileiros (Fibra). O objetivo do mapeamento dos indicadores de fragilidade é direcionar as políticas públicas para a população idosa no Brasil.


A pesquisa é coordenada pela UFMG, Unicamp e UFRGS. Em Belém a pesquisa será realizada com 610 idosos escolhidos de 20 bairros. A coordenação local é feita pela Sespa e conta com apoio da UFPA, Uepa e Cesupa. Serão pesquisadas informações como peso, altura, escolaridade, histórico de doenças além de uma série de exames de saúde. No aspecto de bem-estar os entrevistados poderão dizer se estão satisfeitos com a vida, se têm redes de amigos, entre outros.

A psicóloga Hilma Khoury explica que as transformações na terceira idade tornam muitas pessoas vulneráveis, segundo os critérios de velhice saudável da gerontologia e geriatria. São critérios que avaliam os níveis de independência e autonomia do idoso na sua rotina. Assim um idoso independente seria aquela que depende o mínimo possível das pessoas ao redor. Já a autonomia é a qualidade de comandar a própria vida e tomar decisões.

Quando os idosos são impedidos pela família de saírem sozinhos e realizar tarefas domésticas, "muitos se sentem como crianças", conta. Em alguns casos a fragilidade emocional pode levar a acidentes domésticos. "Com vergonha de pedir ajuda para alcançar uma prateleira, por exemplo, muitos se arriscam a subir num banco e depois caem, fraturando o fêmur ou bacia", diz.

A fragilidade psicológica do idoso traz pensamentos negativos como "minha vida não valeu a pena. Estou assim porque não me cuidei direito", relata. Outros se sentem desvalorizados ao serem desrespeitados a bordo dos ônibus e muitas vezes "engolem a frustração e deixa de ensinar algo aos jovens", observa. Por isso a psicóloga recomenda a prática de atividades que promovam o encontro de pessoas, com redes de amigos, que além de companhia poderão ser fonte de troca de experiências, como os clubes da melhor idade.

Apesar do Brasil passar por transição demográfica que resultou na explosão da população idosa, segundo o geriatra Yuji Magalhães Ikuta, a sociedade não se preparou para cuidar da terceira idade. "No Pará só existem nove geriatras em atuação. Por outro lado temos mais de mil pediatras". Os demais setores também não avançaram para promover qualidade de vida e segurança aos idosos. Um exemplo seria a falta de estrutura das ruas e prédios públicos.

Ikuta é autor de uma dissertação que mostra que 30% dos idosos brasileiros tendem a cair pelo menos uma vez ao ano, por causa de fatores como visão e audição comprometidas, associado a instabilidade postural. Os acidentes seriam causa de 53% das internações de idosos no SUS, sendo também uma das principais causas de morte. Como parte das políticas públicas de saúde Ikuta destaca a importância do incentivo a dieta balanceada, prática de atividades físicas desde caminhadas até musculação e incentivo a atividades prazerosas. Quando a família decide assumir os cuidados com o ente idoso é recomendável ter a ajuda de profissionais como os cuidadores de idosos que tenham passado por cursos de capacitação.
Site MANT Belém

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