quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Crônica - Posso apenas imaginar

A música da minha vida não diz que sou uma vencedora. Não ensina que as dificuldades não me abaterão. Também não diz que serei próspera, inundada por uma chuva de bênçãos. Não diz que sou livre, salva pelo sangue de Cristo ou coisas assim. A canção da minha vida não fala de graças, e sim de uma honra. Minha canção fala da única coisa que ainda não podemos entender, nem explicar, nem planejar. Como será estar diante de Deus, ver a sua face? O que vou fazer quando chegar a hora? Como será?

Fazemos tantas coisas pra Ele, do jeito que nos ensina, mas não estamos preparados para esse momento. É que nem o vestibulando, que perde o sono por causa da bendita prova. Somente depois, quando o sufoco termina, vai pensar: “pra quê eu estava estudando mesmo? Puxa, eu vou ser um médico, um engenheiro, um advogado!” E qual é mesmo o motivo para tanto esforço pela obra do Senhor? Seria safar a própria alma no dia do juízo?

Nem acreditei quando ouvi pela primeira vez I Can Only Imagine (Eu posso apenas imaginar). Primeiros momentos pós-conversão, fase de descoberta. O radinho estava ligado na Diário FM, rádio comercial que ouvia sem parar. Levantei do computador, mas voltei correndo quando ouvi aquela melodia. O som estava bem baixinho, mas nas primeiras frases percebi de cara que tinha algo muito estranho na música. Muito mesmo. De repente: “Êpa, ele disse Jesus? Disse Hallelujah? O que essa música tá fazendo aí?”

Fiz uma incessante busca no Google, com trechinhos da letra pra descobrir quem cantava. Era o MercyMe, cantando o que se tornou hino nas igrejas americanas e tomou conta das rádios cristãs e não cristãs. Chegou aqui. Quem sempre está por aqui já percebeu que gosto muito deles. É uma banda que fala da presença de Deus e do desejo de vê-lo, como nesse primeiro grande sucesso. A letra escrita por Bart Millard surgiu por ocasião da morte do pai que, mesmo diante da enfermidade, expressava conforto sem limite.

Nessa frase “posso apenas imaginar” vinha o otimismo em poder abrir os olhos novamente, no grande dia. Ao invés da dor veio o questionamento: “o que farei quando estiver diante de Ti? Vou dançar, vou me prostrar, ficar parado, cantarei?” Nem adianta ensaiar. Posso achar que um jeito é mais bonito e digno do que outro, mas como prever?

Eu não sabia ainda porque a música me atraia tanto, mas já era um marco. Música sempre foi tudo pra mim. Em 70% da minha vida eu estava ouvindo alguma. Os outros 30% era quando estava dormindo ou num lugar onde não dava pra ouvir música. Pagodes (e afins) a parte eu ouvia de tudo, como um acervo ambulante. Me apelidaram até de MP3.

O gosto cada vez mais apurado me deixou em apuros, pois as canções evangélicas que apareciam eram repetitivas tragédias sonoras. Mas Deus foi paciente comigo e me mostrou I Can Only Imagine. Minha rádio na internet me indicava artistas parecidos e fui me abastecendo e aprendendo a louvar e adorar. Hoje nem o idioma importa. Também aprendi um verbo lindo do inglês, “awe” (sentimento misto de admiração, respeito e temor).

Descobri há pouco tempo qual era o segredo da canção. Descobri o que estava na cara: meu maior sonho é ver meu Pai, desde a infância, quando contemplava o pôr-do-sol. Não quero pensar só na “prova”, mas Nele. Quando a missão confiada a mim parece trabalhosa, quando o mundo me puxa, eu penso logo: “vale a pena trocar isso pela chance de te ver, de cantar I Can Only Imagine?”.

Nem Deus, em infinita sabedoria, pôde explicar na Palavra como é o Reino, pois há coisas que nem adianta explicar. É como a criancinha que acabou de nascer. Vem um e pergunta: como ela é? Daí respondem: é liiiiiiiiinda, tem bochecha liiiiiinda, olhinho liiiiiiindo. Insatisfeita a pessoa vai conferir e volta maravilhada. Daí vem outro e pergunta: então, como ela é? É liiiiiiiiinda, tem bochecha liiiiiinda, olhinho liiiiiiindo.

Quando penso no Reino me embaralho toda, pois é difícil até imaginá-lo. Dúvida abençoada! Mesmo assim oro agradecendo. E choro, bastante, bem bobona. Não que Deus não tenha capacidade de explicar - sou eu que não poderia entender sem ver. Agradeço, pois meu Pai tem algo tão maravilhoso guardado pra mim que não pode nem ser traduzido com palavras. É um lugar lindo, porque Tu estarás lá, e eu vou te ver, finalmente, meu amor.

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Site MANT Belém

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