Site MANT Belém
Mostrando postagens com marcador Crônica. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Crônica. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Crônica - Lembra?

Espantosa é a memória de Deus! Não é fácil falar assim do Todo-Poderoso, mas tem coisas que Ele já não se lembra. Se fosse como nós diriam que está com a cabeça ruim, ou até esclerosado.

Sim, Ele é perfeito. Mas a memória é assim, assim... Tente fazer com que Ele lembre de um pecado do qual você já se arrependeu! Não adianta, Ele não se lembrará. Nós insistimos em ficar lembrando, mas eles já foram perdoados, pois o sangue do Cordeiro nos redimiu.

O acusador também insiste querendo jogar em nossa cara tudo o que já fomos, e relembrar cada tropeço. Tenta em vão refrescar a memória de Deus sobre cada vacilo. Tranquilamente Ele responderá que esses arquivos foram parar no mar do esquecimento (aquele onde é proibido pescar).

Por mais que o Inimigo tente relembrar (ou nós mesmos), Deus nunca se lembrará e reafirmará que “Eu, eu mesmo, sou o que apago as tuas transgressões por amor de mim, e dos teus pecados não me lembro” (Isaías 43:25).

Talvez, fiados que Deus é assim... esquecido, a gente pense que Ele também não se lembra das coisas que nos disse. Todas aquelas coisas bonitas que um dia queimaram em nosso coração. Será que Ele ainda lembra? O ano está acabando - será que ainda lembra? Muitos anos se passaram - será que ainda lembra de todas aquelas promessas?

Quando o assunto são as promessas o esquecimento passa pra gente. O esforço será Dele para refrescar nossa vacilante memória. Sua voz surgirá tantas e tantas vezes, como aconteceu com Abraão, só pra dizer que Sua palavra não se desfez.

A voz Dele também deve estar ressoando em seus ouvidos nesse finalzinho de ano, quando muitos já estão com o corpo e alma cansados da caminhada dos últimos meses. Suavemente Ele vem dar essa forcinha para a nossa memória. E isso nos “persegue”, nas pregações, nos versículos, nas canções, como quem espalha papéis com lembretes pela casa. Neles Ele escreve: “Lembra?”

Fiquei agora sem palavras para definir o Deus, que se esquece das minhas transgressões, mas se lembra de todas as Suas promessas. Nós Te amamos!
“Lembrou-se da sua aliança para sempre, da palavra que mandou a milhares de gerações” (Salmos 105:8).
:: Quer receber os textos do blog por e-mail? Clique
Site MANT Belém

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Crônica - Espera

“... eu não presto pra nada....” Antes que você pense que esta é apenas mais uma frase pessimista permita explicá-la. Essa é na verdade uma conclusão, ou melhor, parte dela.

Quantas vezes ouvimos que temos um chamado? Depois de ouvir pela milionésima vez a passagem em que Deus chama Abraão para contar as estrelas você percebe que, depois de um longo tempo, o seu céu ainda não está estrelado. E não serão poucas as vezes em que você vai se sentir mal, achando que não está fazendo o melhor para Deus.

Se você ficar indignado com a situação vai se perguntar: Por que as coisas não acontecem? Cadê o avivamento? Cadê o Teu poder operando em mim? O que estou fazendo de errado?

Certo dia folheava o livro de uma amiga, que narrava uma história de avivamento. O curioso é que a “receita” mostrada ali, para alcançar as multidões, eram as coisas mais básicas do evangelho. Tudo podia ser resumido a poucos versículos, daqueles que já decoramos. “E por que não acontece comigo?”

Falta o poder!!!!!!! Mas isso eu não tenho. E agora?

Jesus deu uma orientação bem simples aos discípulos em sua despedida: “... permanecei, pois, na cidade, até que do alto sejais revestidos de poder” (Lucas 24:49). Aproveitando que ainda estava por ali Ele poderia impor a mão sobre eles e repassar esse tal poder, mas eles tinham que esperar.

Quando o vento impetuoso veio no dia de Pentecostes todos estavam juntos no mesmo lugar. Não acredito que a espera foi apenas para coincidir com aquela festa - foi também o tempo de preparação. Se Jesus nos pedisse hoje para esperar, o que faríamos nesse meio tempo?

Não é para esperar como quem espera o ônibus. Essa espera não é em frente a TV, o computador, dormindo ou envolvido em nossas tarefas diárias. É para esperar orando, jejuando, meditando na Palavra, louvando e principalmente, clamando: “vem!”

Nós determinamos quando o poder virá. Ele virá quando mandarmos para o alto um aroma suave através de nosso clamor. É como o vapor que condensa e aos poucos vira nuvem, que fica pesada e já não pode conter a chuva. E aí sim, o poder virá sobre nós. Não foi por habilidade que os discípulos tiveram uma pescaria inicial de mais de três mil pessoas. Era o poder em ação.

Quem tem um chamado e se afasta dele se arrisca a ter uma pescaria (de peixe) frustrada como aquela descrita em João 21. Foi um dia inteirinho lançando a rede sem pegar nada. Até que Jesus chegou e Pedro lançou a rede sobre a Palavra. É por isso que ficou fixado em minha cabeça: “sem o poder de Deus eu não presto pra nada, nem pra pegar peixe”.

Isso é sério! Se não colocarmos em nossa cabeça que temos que pescar vidas (não só os peixes) até a tal da vida secular fica difícil, de rede vazia, pois também precisamos de poder em nossa casa, no trabalho...

Ao fazer o balanço desse fim de ano muitos voltarão com as redes vazias, em muitas áreas. Muitos estarão reunidos. Mas nenhuma reunião é como a nossa, o povo debaixo de promessa, que espera o poder do alto. Que venha!

:: Quer receber os textos do blog por e-mail? Clique
Site MANT Belém

domingo, 21 de novembro de 2010

Crônica - No gabinete

Como anda o seu prestígio? Uma grande prova de fogo para testá-lo é ser recebido em gabinetes de pessoas importantes. Se você estiver com o prestígio lá em cima bastará ter o nome anunciado na recepção para ser atendido por um chefão, comandante, todo poderoso...

O presidente americano é considerado o homem mais poderoso do mundo. Mas se você quisesse fazer uma visita ao Barack Obama certamente nem passaria do jardim da Casa Branca. Já na entrada, iam questionar quem você é. Daí você responderia que é o fulano de tal, do Brasil, que admira muito o presidente e até colocou um adesivo no carro ‘Yes, we can’. Grandes chances de você ser detido, tratado como um terrorista.

Ambicioso demais ser recebido pelo Obama? Sejamos mais modestos então, ficando a nível nacional. Tente então conseguir alguns minutos no gabinete do Lula, para reivindicar algo. iriam perguntar se você tem hora marcada. E se você forçasse a barra para entrar na marra, argumentando que é um cidadão brasileiro que paga impostos, os seguranças partiriam pra cima. Você sairia de lá puxado pelo pescoço, tratado como um marginal.

Há lugares em que nem todo mundo entra. Não sem prestígio ou autorização. Ester foi alguém que se atreveu a entrar num lugar improvável. Ela não sabia, mas já tinha autorização para estar diante do trono. Ester estava previamente autorizada, pois ela tinha o coração do rei (Ester 5:1-3).

Mas o que é o palácio de Assuero ou o gabinete de qualquer governante da terra perto do esplendor e da santidade da sala do trono de Deus?

Nós sabemos, mas esquecemos que (como novas criaturas) temos autorização para entrar no Santo dos Santos. Pelo sangue de Cristo nós temos! Mesmo quando estamos do lado de fora, afastados, temos essa autorização. Mesmo quando nos vemos indignos de estar com o Senhor, ainda assim podemos entrar, pois temos o coração do Rei.

Ester tinha acesso e Assuero estava disposto a lhe dar o que nem pensou em pedir. Deus tem essa mesma disposição “para fazer tudo muito mais abundantemente além daquilo que pedimos ou pensamos” (Efésios 3:20). Sim, nós temos o coração de Deus!

Se temos acesso ao lugar do criador do universo podemos fazer o que todos fazem nos gabinetes de gente importante. Podemos fazer petições, encontrar soluções, planejar e, principalmente, sermos recebidos pelo Rei e desfrutar de Sua presença, na condição privilegiada de amigos.

Por hoje fica essa pergunta: existe algum limite para alguém que pode entrar no Santo dos Santos?

“Tendo, pois, irmãos, ousadia para entrar no santuário, pelo sangue de Jesus” (Hebreu 10:19).

:: Quer receber os textos do blog por e-mail? Clique
Site MANT Belém

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Isaías 6

Um homem de carne e osso como eu e você teve a honra de contemplar por alguns instantes a mais sublime das visões. Uma atmosfera praticamente indescritível por tanta beleza, com um som celestial ao fundo. Era o Rei dos reis em seu trono, rodeado de anjos.

Com tudo isso, o melhor que este homem pôde dizer foi um lamentoso “ai!”

Reli Isaías 6 e assumi o lugar do profeta, refazendo seus passos. Minha imaginação voou tentando visualizar aquele local, onde as abas das vestes do Senhor enchiam o templo. Já pensou?

Anjos de seis asas clamavam: “Santo, santo, santo é o Senhor dos Exércitos; toda a terra está cheia da sua glória...” (v3).

Como alguém pode ver isso e, ao invés de engrossar o coro dos anjos, solta um “ai”?

O clima celestial foi quebrado por aquela lamentação, que também é a minha lamentação e talvez a sua. Constrangida diante da glória do Senhor começo a fazer um extenso relatório:

“Sabe Deus, sou uma pessoa de lábios impuros. Não é fácil viver aqui, sentindo
que não sou desse mundo. Vivo no meio de pessoas de lábios impuros, que
desprezam o Teu nome e debocham das coisas relacionadas a Ti. Por onde olho vejo
violência, inveja, idolatria. Isso é uma selva de pedra onde ninguém se importa
com ninguém.

Já me senti como um peixe fora d’água. Mais aos poucos
essas ruas foram me tragando, o mundo foi me absorvendo. Ai de mim! Sou pequeno
e fraco. Quem sou eu para fazer algo em Teu nome? Estou perdido”

Acho que o profeta deve ter ficado constrangido ao contemplar o reino de Deus. Isso o fez perceber o quanto havia se afastado daquela meta e ocupado seu tempo com os afazeres de outro palácio. Todos nós temos palácios no qual dedicamos atenção (trabalho, estudo, casamento, etc...) e provavelmente estamos nos saindo bem.

No lugar de Isaías vi que o reino avança de uma forma que ninguém pode conter. Meus olhos podem estar olhando para outros palácios. Mas ainda que eu não tivesse percebido a glória do Senhor está enchendo o mundo. É promessa. Vai se cumprir!

O profeta disse “eis-me aqui” depois de ter sido tocado nos lábios por uma brasa viva.

Mas, de verdade, como eu poderia ser queimada?

É, já perdi muito tempo fugindo dessa brasa. Quando uma criança rala o joelho chora para que alguém alivie aquela dor. Só que ela se desespera quando alguém tenta por um remédio ardido que lhe trará cura e alívio.

Continuo dizendo ai, se não deixar Deus tocar nos meus impedimentos.
Continuo dizendo ai, se tiver medo que Ele mude em mim o que é necessário.
Continuo dizendo ai, se não confiar Nele para que me livre dos medos.
Continuo dizendo ai, se não quiser ficar marcada para sempre.

Puxa! A lamentação de Isaías foi tão, mas tão inconveniente... Um “ai” não combina com a atmosfera do reino.

Assim como aconteceu com Isaías me sinto constrangida. Deus poderia ter reagido de tantas formas à inconveniente fraqueza do profeta. Mas o chamado de Deus é irrevogável, suas promessas são irrevogáveis, seu amor é irrevogável.

Misericordiosa brasa. Com ela Deus torna simples o que nós complicamos.


:: Quer receber os textos do blog por e-mail? Clique
Site MANT Belém

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Crônica - Tem que diminuir!


Essa imagem aí eu vi semana passada, decorando o vidro de um carro. Enquanto seguia meu caminho eu refletia sobre a verdade expressa por ela: afinal, por que temos que diminuir para ter Deus?

No primeiro olhar pensei que a figura fosse uma lata de refrigerante. Mas note que o rapaz se esforça para esmagar a si mesmo. Só agora lembrei que uma latinha jamais ofereceria tanta resistência a uma pressão dessas. Já o nosso ego sim. Porém, mesmo que fossemos uma lata, teríamos que estar vazios para sermos preenchidos por Deus.

Isso funciona de uma forma simples e radical, igual aquela teoria da Física, que tanto conhecemos: dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço. Da mesma forma que não podemos revogar essa lei não dá para querer ter algo vindo de Deus sem se esvaziar de si mesmo.

“É necessário que ele cresça e que eu diminua” (Jo 3:30), disse João Batista, que passou a vida inteira se esvaziando. Se esvaziar é, basicamente, se arrepender. Quando Jesus assumiu oficialmente seu ministério não correu para fundar uma ONG, fazer uma passeata pela paz mundial ou coisa do tipo. Ele foi direto ao ponto para dizer do que precisávamos:

“Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus” (Mt 4:17).

Sabemos que Jesus deu sua própria vida para remissão dos nossos pecados. Mesmo que alguém afirme que não sabe o que é pecado, basta ter em mente o seguinte: é tudo aquilo que entristece o coração de Deus. É tudo aquilo que nos afasta Dele.

Se esperamos algo Dele, nos deparamos com essa lei espiritual, irrevogável como a física: para Ele entrar, alguém tem que sair. Do contrário, como Deus vai nos encher se já estamos cheios? Como diminuiremos sem nos arrepender?

Jesus deu seu sangue para que tivéssemos a chance de entrar em seu reino. Ele esvaziou a si mesmo para que, hoje, tivéssemos a chance de escolher ser salvo. Mesmo assim dizemos com orgulho: “não me arrependo de nada”. Que troféus tão valiosos seriam esses, guardados dentro de nós quando não nos arrependemos? Do que estamos cheios? De Deus? De nós mesmos?

Arrependimento é como aquela imagem: é pressão. É algo desconfortável, pois precisa enxotar o que está dentro, ou seja, aquele monte de “achismos” do ser humano. Diminuir não é ser envergonhado, e sim se esvaziar. Menos de mim, mais Dele.

“É necessário que ele cresça e que eu diminua”.

:: Quer receber os textos do blog por e-mail? Clique
Site MANT Belém

terça-feira, 13 de abril de 2010

Crônica - Dead line

Os brasileiros gostam de usar algumas expressões em inglês em situações do dia-a-dia, tipo happy hour, hora do rush. Em áreas como o jornalismo é corriqueira a expressão dead line, usada em referência a uma data, prazo limite para executar uma tarefa. Esse limite é improrrogável, pois compromete o trabalho de toda a equipe. "Qual é o meu dead line?", se pergunta o jornalista, logo que recebe a pauta.

Traduzido literalmente esse termo significa "linha da morte". Não deixa de ser, pois se o objetivo não é cumprido é quase como cortar sua cabeça. Estabelecer um dead line é fundamental para que a equipe não vá num ritmo de quem tem todo o tempo do mundo.

O dead line impõe temor, mas chegou uma hora em que não pude mais viver sem ele. Bem que eu queria mas não sou o tipo em que você pede algo, sem compromisso, e eu apronto em dois tempos. Quando eu sigo tendo em mente o prazo limite tudo muda de figura - nem que seja de véspera tenho que dar meus pulinhos pra cumprir a tarefa.

Dá pra aplicar esse termo em muitas áreas da vida. Lendo um conhecido trecho de Gênesis encontrei alguém que extrapolou o dead line:

"E aconteceu que, como Isaque envelheceu, e os seus olhos se escureceram, de maneira que não podia ver, chamou a Esaú, seu filho mais velho, e disse-lhe: Meu filho. E ele lhe disse: Eis-me aqui.

E ele disse: Eis que já agora estou velho, e não sei o dia da minha morte; agora, pois, toma as tuas armas, a tua aljava e o teu arco, e sai ao campo, e apanha para mim alguma caça.

E faze-me um guisado saboroso, como eu gosto, e traze-mo, para que eu coma; para que minha alma te abençoe, antes que morra" (Gênesis 27:1-4).
Já era tempo de Esaú pensar no futuro. Qualquer filho que tem um pai idoso precisa pensar em coisas do tipo: quem vai cuidar dos negócios do meu pai? Quem cuidará da família? Quem vai tocar tudo isso depois de sua morte?

Todo fllho, especialmente o mais velho pensa assim quando a idade começa a trazer seus efeitos na saúde do pai. Mas havia algo a mais para pensar. Seu pai tinha mais do que bens materiais para repassar, pois era nada mais nada menos que Isaque - o filho da promessa. Aquela era a segunda geração em que Deus estava cumprindo a promessa de gerar uma incontável descendência a partir de Abraão.

Por isso Esaú também deveria se perguntar: "Quem vai ser o condutor da bênção do Senhor? Quem dará continuidade as estrelas do céu, os grãos de areia da multidão que está nascendo?" Em todos os casos a resposta era: eu. Com essa grande responsabilidade e privilégio sobre si já era tempo de Esaú se agradar de Deus. Já era tempo de depender dele e estar no centro da Sua vontade.

Esaú tinha um dead line, mas parecia não estar muito preocupado. Em todos aqueles anos ele sabia perfeitamente como agradar seu pai, que lhe pediu um guisado saboroso, do jeito que gostava.

Naquela altura Esaú estava tranquilo demais pois tinha habilidade para caçar e preparar um guisado saboroso até de olhos vendados. Em recompensa para algo tão trivial ele esperava ser abençoado pelo pai. Mas quando ele retornou, com a tarefa cumprida, o seu dead line já havia extrapolado:

"Então estremeceu Isaque de um estremecimento muito grande, e disse: Quem, pois, é aquele que apanhou a caça, e ma trouxe? E comi de tudo, antes que tu viesses, e abençoei-o, e ele será bendito.

Esaú, ouvindo as palavras de seu pai, bradou com grande e mui amargo brado, e disse a seu pai: Abençoa-me também a mim, meu pai. E ele disse: Veio teu irmão com sutileza, e tomou a tua bênção (...)

E perguntou: Não reservaste, pois, para mim nenhuma bênção? (...) Tens uma só bênção, meu pai? Abençoa-me também a mim, meu pai. E levantou Esaú a sua voz, e chorou" (Gênesis 27:33-38).
Muitas vezes sabemos de cor como agradar algumas pessoas, com palavras, presentes e atitudes. Nem sempre temos a mesma habilidade para agradar a Deus. Muitas vezes agimos tranquilamente por estarmos há muito tempo na igreja, sendo muito próximos dos sacerdotes ou exercendo funções de liderança. É alguém que espera uma bênção que parece óbvia.

Por ser o primogênito era óbvio, no entendimento de Esaú, que seria abençoado. Mas para Deus não parece nada óbvio que tenha o compromisso de abençoar alguém por tempo de igreja, ou porque só andamos na companhia de gente abençoada.

Esaú não perdeu a bênção especial do pai por ter chegado depois do irmão. Seu tempo já havia extrapolado no momento em que vendeu seu direito à primogenitura ao irmão Jacó. A velhice do pai era o dead line sendo estabelecido para Esaú, para correr atrás do prejuízo e se agradar de Deus. Preparar um guisado saboroso era o mesmo que estar perdendo de 10 a 0, aos 45 do segundo tempo, e ter esperança de virar o jogo. Não dava mais tempo.

Quando o nosso prazo com Deus extrapola não adianta sacudí-Lo, implorando por uma sobra de benção. Por engano Isaque abençoou Jacó, mas Deus não se enganou. Ao trocar seu posto de primogênito por um prato de lentilhas Esaú mostrou o quanto valia a bênção do Senhor em sua vida. Se o mais velho não valorizava a bênção Deus não iria abortar o projeto de multidão por causa dele. Jacó, mesmo por caminhos tortos, gerou as 12 tribos de Israel. O caçula passou a carregar a bênção que iria mudar o mundo.

Já era tempo de olhar para o futuro e fazer algo no presente. Há tempo para tudo, mas algumas coisas chegam às nossas vidas com um dead line de Deus. Quanto tempo o povo tinha para atravessar o caminho pelo Mar Vermelho? Deus não vai esperar por uma atitude nossa eternamente.

Um dead line é a linha de morte. Os dead lines de Deus devem ser observados por todo aquele que se diz filho Dele. Ele nos dá um dead line para que possamos largar a preguiça, os medos, as desculpas, os impedimentos, as brechas e chegar a tempo. A tempo no ganhar de vidas. A tempo no melhor de Deus. A tempo no cumprimento das grandes promessas. A tempo de participar da colheita.

Já está na hora de sermos tudo aquilo que Ele espera de nós. Jacó se mobilizou em cima da hora e Deus passou a apontar para ele, como o novo portador da bênção de multidão que, obviamente, não poderia mais ser de Esaú.

Tenho aprendido que já é tempo. Já extrapolei alguns dead lines, os jornalísticos e os não-jornalísticos. Meu dead line com Deus está chegando ao fim. Já esta mais do que aprendido que se agradar de Deus subentende se agradar de vidas. Muitas delas agonizam ao nosso lado, enquanto andamos assoviando, trazendo nosso guisado.

O interessante é que há algumas horas, numa reunião abençoadíssima, o Senhor reforçou esse alerta de que o tempo está passando de forma implacável, através da parábola da figueira estéril (Lucas 13:1-9). Uma árvore em condição privilegiada não apresentava motivos para não dar frutos. O dead line para uma figueira assim, literalmente, significa a morte, pois justifica o seu corte.

Espero que o seu dead line também esteja acabando. Vamos correr para dar frutos, pois os frutos respaldam uma árvore.


:: Quer receber os textos do blog por e-mail? Clique
Site MANT Belém

terça-feira, 2 de março de 2010

Crônica - Você está nu?

Só de falar nesse assunto já ficamos constrangidos, não é?. Essa vergonha relacionada a nudez nós sabemos bem quando começou... Foi lá no Éden.

Reconhecendo que tinham feito coisa errada Adão e Eva ouviram a voz de Deus no jardim e correram para se esconder. Estavam nus e com medo. O casal geralmente é representado nas ilustrações usando aquelas folhinhas para cobrir as vergonhas. Mas Deus não gostou desse tapa sexo improvisado. Ele mesmo fez roupas com peles de animal e os vestiu (Gênesis 3:21). Guarde essa informação: o Senhor nos dá vestes! 

Todo mundo nasce pelado mas, por causa da queda do homem no jardim, a nudez deixou de ser algo natural na vida em sociedade. Não é normal, nem aceitável andar sem roupas por aí - é motivo de constrangimento e vergonha. Mas não é somente a falta de roupas que nos deixa nus. A Palavra nos mostra pelo menos duas formas de nudez espiritual:

Somente um lençol

"Seguia-o um jovem, coberto unicamente com um lençol, e lançaram-lhe a mão. Mas ele, largando o lençol, fugiu desnudo" (Marcos 14:51-52).

Na leitura que narra o momento em que Jesus foi preso nos deparamos com essa intrigante passagem. Imagine a confusão que se instalou nas ruas! Um verdadeiro alvoroço de pessoas querendo saber o que estava acontecendo. Alguns dos discípulos fugiam dos que vinham com espadas e porretes. No meio disso tudo você se pergunta: quem é esse sujeito fugindo pelado? Será um maluco? Um tarado?

Os estudiosos da Bíblia indicam que esse é um trecho auto biográfico - ou seja, seria o próprio Marcos. Realmente é um detalhe muito trivial para que alguém tenha tido o cuidado de registrar, a não ser que fosse o próprio autor desse evangelho, dando um breve testemunho.

Marcos foi uma pessoa com um chamado grandioso e específico. Já parou pra pensar quantas vezes Deus impactou a sua vida com passagens desse livro? O Espírito Santo usou a pena e os pergaminhos de Marcos para impactar milhões e milhões de vidas. Marcos testemunhou milagres e prodígios de Jesus, mas não bastava estar ali apenas escrevendo - ele precisava estar totalmente disponível para Jesus. Mas nessa passagem, pelo contrário, ele estava despreparado, estava nu.

O jovem, também conhecido como João Marcos, passou a viver no seu dia a dia o ministério de Jesus na terra. Sua mãe, Maria, era uma mulher rica e corajosa, que abria sua casa para os cristãos. Lá eles estavam reunidos no dia de Pentecostes e provavelmente foi o lugar de celebração da última ceia. Talvez tenha sido o primeiro lugar em que Judas procurou Jesus para entregá-lo. Marcos é pego de surpresa com a notícia da prisão. Por estar nu ele devia estar dormindo e saiu às ruas sem se vestir. 

Em meio a multidão de curiosos ele tentava ver Jesus, até que alguém o abordou, certamente por reconhecê-lo como discípulo de Cristo. Pra salvar a pele ele saiu correndo, deixando o lençol para trás. Cena bizarra!

Esse era o lençol do despreparo, do medo, da superficialidade. Será que não estamos nus como esse jovem? Até que ponto é possível seguir Jesus coberto somente com um lençol? Se realmente era Marcos nessa passagem ele estava dando testemunho de sua própria fraqueza.

O Senhor nos chama para longas caminhadas. Para enfrentar as dificuldades do caminho Ele nos reverte de autoridade para pisar serpentes e escorpiões (Lucas 10:19). Mas, diferente de José, que fugiu pelado para não pecar (Gênesis 39:12), Marcos fugiu pelado para não encarar as dificuldades, as pressões. 

É muito bom seguir Jesus quando estamos sendo cheios de alegria, bênçãos e palavras de esperança. Seria confortável demais se a vida cristã se resumisse aos momentos de louvor e adoração dos cultos de domingo. Mas seguir Jesus também é encarar as tais serpentes e escorpiões. Só que as vezes nos mostramos frouxos, despreparados, quando não nos fortalecemos no Senhor e improvisamos um lençol. 

Marcos  se identificava com o ministério de Jesus, mas não era do tipo de pessoa com quem alguém poderia contar. Ele foi covarde novamente ao abandonar Paulo e Barnabé na primeira viagem missionária (Atos 13:13). Mais tarde, na segunda viagem, ele virou motivo de discórdia pois Barnabé insistiu em levá-lo, a contragosto de Paulo, causando separação na Igreja.

Nudez ignorada

"...pois dizes: Estou rico e abastado e não preciso de coisa alguma, e nem sabes que tu és infeliz, sim, miserável, pobre, cego e nu" (Apocalipse 3:17).

Tão constrangedor como ter um lençol arrancado de nós subitamente é andar por aí sem perceber que estamos com alguma coisa à mostra. Você tenta se cobrir mas o vexame é inevitável. Na carta de Jesus à Igreja da Laodicéia, em Apocalipse, é o próprio Senhor quem revela que eles estão nus.

No último livro da Bíblia Jesus endereça cartas à sete igrejas da Ásia Menor. Através de João as mensagens destacam, em cada carta, defeitos e qualidades das igrejas. Sobre Laodicéia só havia defeitos, apesar daquela igreja ter uma imagem perfeita de si mesma. Aquele povo era famoso pela indústria têxtil, sendo a cidade mais rica da Frígia na época romana. Também era famosa por suas águas medicinais, usadas para fazer colírio.

É por isso que o Senhor adota uma linguagem "comercial" para exortá-los: "Aconselho-te que de mim compre ouro refinado pelo fogo para te enriqueceres, vestiduras brancas para te vestires, a fim de que não seja manifesta a vergonha da tua nudez, e colírio para ungires os olhos, a fim de que vejas" (Apocalipse 3:18).

Qualquer comerciante diz que "na minha mão é mais barato" e "tudo é de primeira qualidade". Por amor, o Senhor exorta, pois só Ele tem as palavras de vida eterna e as vestiduras brancas de que precisamos. Quando nos olhamos no espelho podemos até nos vangloriar por estarmos bem vestidos. Mas o Senhor chega e alerta: "tape isso aí!"

Quando julgamos que nossa roupa é boa demais acreditamos que podemos ir com Jesus a qualquer lugar. Mas não se vai longe com os pecados que se insiste em guardar. Não com manias e péssimos hábitos que nos prendem. Não com pensamentos errados que criam fortalezas na mente e expõem a nossa vergonha.

É para os que não enxergam sua própria nudez que Jesus disse:"Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele, comigo" (Apocalipse 3:20). Imagine, naquela altura do campeonato, um cristão descobrir que Jesus ainda estava do lado de fora esperando! Através dessa igreja o Senhor fala a todos nós, nos exortando, pois Ele disciplina a quem ama.

Que o Senhor possa nos livrar de toda a vergonha e nos fortalecer para não sairmos para a longa caminhada cobertos pelo lençol do medo. Que Ele nos exorte para não ficar nenhuma brecha que nos exponha. Que possamos buscar a Deus e as vestes que Ele prepara com as próprias mãos para seus filhos amados.
Site MANT Belém

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Crônica - À sombra da aboboreira

Estenda seus braços. Imagine que nesse instante alguém coloca esse delicado bebê sobre eles. Pense: você teria coragem de baixar os braços agora? Teria? Certamente a criança iria cair no chão.

Carregar essa criança é uma tarefa, uma responsabilidade. Certamente ninguém lhe daria essa missão se não acreditasse que você é capaz de cuidar bem dela. Ou ainda, que não lhe julgasse responsável o suficiente para, pelo menos, não deixá-la cair do colo.

Não sei se você leva jeito com crianças, nem mesmo se você leva jeito com pessoas em geral. Mas sei que o Senhor espera que sejamos servos que tem compaixão pelos outros. Compaixão tem a ver com o amor. É o sentimento que nos toma e nos leva a fazer a coisa certa, mesmo sem saber exatamente o motivo. Foi o mesmo sentimento que fez a filha de Faraó não cumprir o decreto de morte sobre os primogênitos, preservando a vida do bebê hebreu - o pequeno Moisés (Ex 2:6).

Mas existem bebês grandes, que não são tão bonitinhos nem fofinhos. Estão espalhados pelo mundo. Deus lhes envia os seus servos, seus profetas, para lhes dar o alimento espiritual. Mas ao invés de cumprir essa tarefa alguns preferem a sombra da aboboreira.

Quando lemos o livro de Jonas geralmente nos focamos naquela relutância do profeta em cumprir seu chamado. Deus ordenou que ele fosse para Nínive, mas ele fugiu para Tarsis. Somente após ser vomitado pelo peixe se apressou em obedecer. Tudo poderia ter dado certo a partir daí, mas faltou-lhe compaixão:

“Então Jonas saiu da cidade e assentou-se ao oriente da cidade: e ali fez uma cabana, e se assentou debaixo dela, à sombra, até ver o que aconteceria à cidade.

E fez o Senhor Deus nascer uma aboboreira, que subiu por cima de Jonas, para que fizesse sombra sobre a sua cabeça, a fim de o livrar do seu enfado: e Jonas se alegrou em extremo por causa da aboboreira” (Jonas 4:5-6).

Ultimamente algumas coisas me alegraram. Coisas que não contribuem com a obra de Deus, mas serviram de passatempo, distração. Quando percebi já estava naquele ponto de olhar para a Bíblia e dizer: já vou fazer o devocional, deixa só terminar esse programa na TV. São satisfações que vão tomando o teu horário, teus pensamentos, tua dedicação. Coisas que te fazem orar menos, jejuar menos, pregar menos, trabalhar menos na obra e extinguir o Espírito em você.

Havia dito para mim mesma que poderia cuidar das plantas da minha varanda. Me alegrei extremamente ao vê-las crescendo, após regá-las todos os dias. Uma delas tem umas folhas enormes, que até fazem sombra. Aí vem esse texto de Jonas, e por motivos óbvios relutei em entender e aceitar. Continuando:

“Mas Deus enviou um bicho, no dia seguinte ao seguir da alva, o qual feriu a aboboreira, e esta secou.

E aconteceu que, aparecendo o sol, Deus mandou um vento calmoso, oriental, e o sol feriu a cabeça de Jonas; e ele desmaiou, e desejou com toda a sua alma morrer, dizendo: Melhor me é morrer do que viver.

Então disse Deus a Jonas: É acaso razoável que assim te enfades por causa da aboboreira? E ele disse: É justo que me enfade a ponto de desejar a morte” (v7-9).

Que loucura essa passagem, não é? Que atitude tola, injustificável. Tanto drama por causa de uma planta. Mas essa tal aboboreira é justamente essas coisas que valorizamos mais do que a obra. Jonas já estava distante da cidade, após pregar. No final das contas sua pregação acabou virando uma forma de fazer média com Deus.

Talvez você se sinta pressionado por todos os lados a pregar o evangelho, cumprir o seu chamado. Talvez você já tenha habitado o estômago do peixe e tenha concluído que não é bom fugir da presença de Deus. Mas o Senhor não quer esse tipo de profeta.

Naquele momento Jonas devia estar esperando que Deus derramasse a sua ira sobre a cidade. De seu “camarote” ele iria assistir todos estrebucharem. Quando todos se arrependeram ele pensou algo do tipo: “Ah, eu sabia que tu És misericordioso. Se Tu ias perdoar todo mundo porque me chamou então?” O profeta só enxergava o pecado do povo.
“E disse o Senhor: Tivestes compaixão da aboboreira, na qual não trabalhastes, nem a fizestes crescer, que numa noite nasceu, e numa noite pereceu;

E não hei de eu ter compaixão da grande cidade de Nínive, em que estão mais de cento e vinte mil homens, que não sabe discernir entre a sua mão direita e a sua mão esquerda, e também muitos animais?”(v10-11).
O Senhor permite que tenhamos muitas coisas: amigos, trabalho, família e até os passatempos. Ele se preocupa com o nosso bem estar. Só que às vezes ficamos acomodados no conforto de algumas situações. Coisas que aparecem de um dia para o outro e conquistam nossa atenção, sentimentos, o teu melhor tempo.

São coisas nas quais Deus pode mandar um verme devorar e nós ficamos sofrendo por elas, como se fossem a coisa mais importante no mundo. Esta semana a tal planta da minha varanda foi comida por algum bicho. Já pensou se eu desejasse morrer por causa disso?

Jonas pregou e logo saiu da cidade, acreditando que já tinha feito a sua parte. O trecho mais impactante dessa passagem é justamente a exclamação que finaliza o livro. Deus termina o livro fazendo uma pergunta. Ele falava em compaixão. Paixão é sofrimento. Quando você tem compaixão, de alguma forma, está tomando para si o sofrimento de outra pessoa. Por compaixão você toma uma atitude, você dá suporte a alguém.

Em Nínive havia cento e vinte mil homens, que segundo o próprio Deus não sabiam discernir entre a sua mão direita e a sua mão esquerda. Não sei qual a população de sua cidade, seu estado, mas certamente eles também não tem esse discernimento. Espiritualmente são parecidos com o bebê da foto – ovelhas sem pastor pelos quais Jesus se compadece.

“Coloque suas mãos para frente, na posição de receber”, disse a pastora durante uma oração. Nessa hora era como se aos meus olhos muitas pessoas estivessem em minhas mãos – e todas essas vidas se resumiam na imagem de uma criança. Uma criança que chora e tem fome, que precisa de alguém que cuide dela.

Às vezes tentamos ter uma rotina que não está no centro da vontade de Deus. Tentamos voltar ao “normal”. Moisés viu a glória de Deus no monte e depois disso não conseguia voltar ao normal, pois era impossível – ele queria mais. Pedro queria voltar ao normal, como pescador de peixes, mas a sua rede só voltava vazia. Não dá para voltar ao normal, pois quem conheceu Jesus já não é normal. Somos o sal, a luz do mundo.

Para voltar ao normal e ficar à sombra é preciso tirar a mão do arado. Para voltar ao normal é preciso baixar os braços. Você vai baixar os braços?
Site MANT Belém

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Crônica - Intimidade

Certa vez, orando no sereno, pedi ajuda ao Senhor. Queria que Ele me ensinasse a ser íntima Dele, de verdade. Já estava constrangida em falar com Ele cheia de formalidades, como as de quem fala com alguém que não conhece. Naquele instante veio à mente o convite que Jesus fez a Zaqueu. Nunca havia meditado sobre a profundidade daquilo que estava propondo:

“Zaqueu, desce depressa, pois me convém ficar hoje em tua casa” (Lucas 19:5).

A Palavra diz que o publicano não pensou duas vezes, e o recebeu com alegria. Provavelmente não deu tempo de gritar ao povo de casa o famoso: põe mais água no feijão!

Como é bom receber ou ser recebido na casa de alguém. É uma mistura de alegria, hospitalidade, descontração e comunhão. O anfitrião faz de tudo para que o convidado se sinta a vontade, aprove o tempero e não veja o tempo passar. É maravilhoso. Isso é sinal de intimidade. Até hoje, nas sociedades orientais, receber alguém em casa é uma extrema honraria.

Eu gostaria de almoçar com Jesus. Aliás, ele aparece em outros momentos da Bíblia assentado na mesa. Isso causava escândalo: comendo com pecadores? Que absurdo! Deviam pensar que ele não sabia escolher suas companhias, não tinha critérios. Pensando assim eu teria grandes chances de ser honrada com essa visita. Assim como João Batista não sou digna nem de desamarrar os cadarços de Jesus e nasci pecadora como todos os outros.

Só que o convite de Jesus pode vir assim, de supetão. Não precisa pensar muito. Se eu ficar pensando muito na minha condição indigna ele responde: eu não estou nem aí. Vamos logo para a sua casa! Quando Jesus chamou Zaqueu ele estava dizendo, em outras palavras: vamos ser íntimos!

Quando alguém vem em casa gosto que ela se sinta livre. Livre para tirar os sapatos, sentar no sofá ou no tapete... comer, repetir... conversar de boca cheia... Durante aquela oração eu perguntava: será que Tu tens te sentido à vontade desse jeito?

Desde o início dos tempos o Senhor é o ilustre convidado. Pra você ver como Ele é: criou um lindo jardim para o homem habitar, mas ainda assim escolheu dar-lhe liberdade. Para si Ele reservou somente algum tempo, no final do dia, para ter comunhão com o homem. Um dia isso vai mudar, pois o convite está feito:


“... e habitarei na Casa do Senhor para todo sempre” (Salmos 23:6).

Precisamos ir treinando, deixando Jesus à vontade, para sermos um lugar onde gosta de estar. Vai chegar a vez Dele nos receber e isso está muito, muitíssimo além do que podemos imaginar. É o lugar onde Ele nos chama para nos assentarmos à mesa. Não pela comida ou bebida, mas para ter comunhão eterna. Jesus garantiu: “... vou preparar-vos lugar” (João 14:2).

Aleluias, porque vai chegar o dia em que meu Senhor vai dizer: fique à vontade. Minha casa é a sua casa!
Site MANT Belém

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Crônica – Crescendo na Palavra

“E crescia Jesus em sabedoria, estatura e graça, diante de Deus e dos homens” (Lucas 2:52).

Gosto muitíssimo desse trecho sobre a infância de Jesus, que fala de seu crescimento. Ele não estava apenas ficando mais alto. Também estava crescendo na Palavra de Deus. Isso é um incentivo a todos nós.

Assim como ao Unigênito o Senhor olha para nós com grande expectativa de que possamos crescer espiritualmente. Parece até aquela cena dos pais riscando na parede a altura da criança, no decorrer dos anos. “Olha como ele está grandinho!

Jesus, quando tinha apenas doze anos, já impressionava. Deixava os doutores da lei de boca aberta por causa de sua inteligência e de suas respostas. Desde cedo, ao invés de mingau, ele se nutria com a Palavra, e crescia, em estatura e sabedoria.

Muitos de nós já cresceram em estatura (eu nem tanto) mas ainda são baixinhos, tampinhas e nanicos espirituais. Isso não depende da idade, nem do tempo de igreja, nem do grau de instrução. Só cresce quem desejar crescer.

Sabe aquela música “Passando pela prova”, do Lázaro? A letra é empolgante porque ele teve as respostas na ponta da língua, para responder ao tal "enviado do Diabo". Assim como você eu também desejo levar a melhor numa situação dessas, igualzinho como Jesus fez, ao calar a boca do inimigo que o tentou no deserto.

Contra as três investidas, três tiros certeiros, vindos de passagens do livro de Deuteronômio. Jesus 3x0 Diabo. Como seria então a performance de alguém que não tem nenhum entrosamento com a Bíblia? “Fique sabendo que não só de pão viverá o homem... mas de, de...”

O apóstolo Filipe foi enviado pelo Senhor até um etíope, que estava lendo o profeta Isaías, mas sem compreender a leitura. “Compreendes o que vem lendo?” (Atos 8:30). Ele respondeu que não. Ao receber a resposta um cristão, despreparado, responderia: “Então somos dois”.

Saber a Bíblia decorada não é o desejo de Deus para seus filhos. O que Ele quer são pessoas que podem ser usadas. Sem precisar de diploma em Teologia o Senhor nos capacita, para crescermos como Jesus cresceu:

“O Senhor Deus me deu língua de eruditos, para que eu saiba dizer boa palavra ao cansado. Ele me desperta todas as manhãs, desperta-me o ouvido para que eu ouça como os eruditos” (Isaías 50:4).
Mas o que seria ouvir como erudito? Um exemplo que veio à mente foi a de um funcionário de uma grande empresa, que entra na sala para servir cafezinho, durante uma reunião importante. O chefe está cobrando mais visão, esforço, garra e criatividade para que a empresa ganhe impulso.

Só que o rapaz filtra aquela conversa, ouve, mas não escuta. Não ouviu como erudito. Ele pensa: “Isso não é para mim”. Se ele tivesse escutado, e se incluído na nobre causa, as coisas poderiam ter sido diferentes. Ele ouviria, se empolgaria, cresceria em sua tarefa e, quem sabe, poderia até ser promovido.

A Palavra de Deus é nobre, e se Ele fala conosco é porque vê nobreza em nós. Quando ouvimos como eruditos passamos a ter língua de erudito. Não para nossa vaidade, nem para ser uma Bíblia ambulante e sim para sermos úteis, na hora certa. Temos essa nobre tarefa, de auxiliar aqueles que estão cansados. Não é só abrir a boca e dizer qualquer coisa, mas sim, dizer boa palavra.

Não dá para adivinhar quando surgirá uma mulher samaritana em nosso caminho. E, como não dá tempo de ir chamar o seu pastor, caberá a você apresentar Jesus à ela, antes que pegue seu balde e volte para casa, morrendo de sede. Um dia baterá em sua porta um Nicodemus, altas horas da noite. Não deixe ele voltar para casa sem uma resposta.

Cresça na Palavra para atingir a maturidade espiritual e dizer:

“O Espírito do Senhor está sobre mim, pelo que me ungiu para evangelizar os pobres; enviou-me para proclamar libertação aos cativos e restauração da vista aos cegos, para pôr em liberdade os oprimidos e apregoar o ano aceitável do Senhor” (Isaías 61:1-2).
Site MANT Belém

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Crônica – Tudo novo

“... eis que faço novas todas as coisas...” (Apocalipse 21:5).

Já te desejei um feliz ano novo? Se não, faço agora. Já estamos de calendário novo com doze meses novinhos para, como bons brasileiros, continuarmos em busca de um “lugar ao sol”. Quem inventou essa expressão conhecia bem essa meta incansável de ir atrás do nosso espaço, conquistar, dizer ao mundo: olha eu aqui!

Às vezes, pelo menos em Belém, o povo busca um lugar à sombra. Acompanhando a sombra dos postes sempre tem uma fila do povo fugindo do sol escaldante, enquanto o ônibus não chega. Outros entram naquelas filas que dobram quarteirões, para fazer uma aposta, na esperança de acertar os números da megasena da virada.

A maioria pensa que só ganhando uma bolada vai conseguir ser alguém, pois o dinheiro resolveria todos os problemas. Tem gente que nasce e morre sem ser “gente” de fato, pois sem documentos oficiais é como se não existissem. O tempo todo estamos tentando provar a alguém que temos valor, que somos alguém. "Estude pra ser alguém na vida", ensinam os pais.

Quando estamos assim, no comecinho do ano, bate aquela vontade, aquela esperança: vai ser diferente, vai ser melhor. No final vem aquela frustração. Cada ano vira um filme, ondealguns são figurantes vivendo uma eterna reprise. Cadê o meu lugar ao sol?

Pense aí. Quantas pessoas sabem o seu nome? Quantas olham pra você? Quantas te dão valor? Quantas se importam se você está triste ou feliz? Mas existe alguém que:


“... conta o número das estrelas, chamando-as todas pelo seu nome” (Salmos
147:4).

O Senhor, que colocou cada uma das estrelas no céu, as conhece nominalmente. Incrível! Os cientistas dizem que, somente na parte conhecida do universo, existem seis sextilhões de estrelas. Sextilhões!!! E o Senhor chama, cada uma, pelo nome. Quando soube disso meu coração se desmanchou. Esse amor constrange... Ele sabe o meu nome. Ele sabe o teu. Ele olha pra você!

Para Ele ninguém é fulano. Ele chama pelo nome, porque conhece cada um, e seus anseios. É o mesmo Jesus, que chamou Zaqueu pelo nome, para descer daquela árvore e conduzí-lo até sua casa (Lucas 19:5). E, da mesma forma, nos perguntamos: “como ele sabe meu nome?”

Isso acontece porque Ele olha pra nós, mas poucos olham para Ele. Ficamos ocupados demais nessa rotina de buscar o tal "lugar ao sol". Seguimos concentrados em chamar a atenção desse mundo que nos ignora. Vivendo com a mente e o coração blindados demais para dar atenção Aquele que diz:


“... eis que faço novas todas as coisas. E acrescentou: Escreve, porque estas
palavras são fiéis e verdadeiras” (Apocalipse 21:5).

Ele está dizendo: escreve, pois não é frase de efeito. E não é mesmo! Não é ondinha, não é romã. É a palavra fiel e verdadeira do Rei dos reis.

Escreva, pois Ele sim, faz novas todas as coisas. Todas!

Um feliz ano novo (o verdadeiro)! Jesus te conhece e acredita em você!

Incondicional - Oficina G3

Site MANT Belém

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Crônica – Sacudida

Finalzinho de ano. Tempo para agradecer, relembrar e ... sacudir. Não é um terremoto, nem coisa parecida. É Jesus!

Você é uma pessoa procurada? Não, não me refiro aos criminosos, das fotos dos cartazes de “Procura-se” espalhados por aí. Falo daqueles a quem o Senhor procura incessantemente. Aqueles...

“Mas vem a hora e já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque são estes que o Pai procura para seus adoradores” (João 4:23).

Jesus sacode porque está procurando. Ele procura... procura, de janeiro a janeiro. Talvez agora, em meio aos preparativos para a virada do ano, alguns estejam sentindo uma sacudida. Ele é paciente e criterioso. Mas por que sacudir?

Todo mundo conhece aquele dito popular “separar o joio do trigo”. Mas nem sempre nos perguntamos como isso é possível. Joio é uma erva daninha que nasce entre as plantações de trigo. As duas plantas são muito parecidas. A diferença aparece na hora do chamado joeiramento.

É quando Jesus chega para sacudir:

“A sua pá, ele a tem na mão e limpará completamente a sua eira, recolherá o seu trigo no celeiro, mas queimará a palha em fogo inextinguível” (Mateus 3:12).

Na sacudida os grãos de trigo caem no chão. E o joio? Nessa hora já virou palha e o vento leva. É assim que o Senhor separa o que é seu. A palavra diz: “seu trigo”. Cada grão formará esse trigo. O trigo vira pão. Jesus é o pão. Nós somos corpo de Cristo.

O verdadeiro grão, ou adorador, é revelado após uma sacudida. Não queira ser algo tão frágil e sem valor que o vento leva, num piscar de olhos. Seja uma pessoa procurada. Jesus é um refinador. Ele não procura algo que não tem valor. A sacudida é um método de refino.

No comecinho de cada ano todo mundo faz seus desejos para ter paz, saúde e dinheiro, que para muitos são os ingredientes de felicidade. Talvez, relembrando o ano que passou, estejamos plenamente satisfeitos com o que fomos e fizemos. Mas se você sente uma constante sacudida é porque Jesus ainda está nos refinando, está nos procurando.

Essa procura é um ato de amor, que pode ser ilustrado como o paciente trabalho de um garimpeiro em busca de uma pedra preciosa. Com sua peneira ele precisa encontrá-la em meio ao cascalho. Para isso ele precisa sacudir:

“... amas-me mais do que estes outros?... Sim, Senhor, tu sabes que te amo. Ele lhe disse: Apascenta os meus cordeiros”.
Ele continua sacudindo...

“Tornou a pergunta-lhe pela segunda vez... tu me amas? ... Sim, Senhor, tu sabes que te amo. Disse-lhe Jesus: Pastoreia as minhas ovelha”.
Sacode novamente...

“Pela terceira vez Jesus lhe perguntou.... tu me amas? Pedro entristeceu-se por ele ter lhe dito pela terceira vez: Tu me amas? E respondeu-lhe: Senhor, tu sabes todas as coisas, tu sabes que eu te amo. Jesus lhe disse: Apascenta as minhas ovelhas” (João 21:15-17).
Vendo aquele brilho ele diz com alegria: “achei!”

Que o Senhor continue nos sacudindo e nos preparando para as coisas que vem por aí.

Feliz colheita em 2010!
Site MANT Belém

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Crônica – Onde você estava?

Quando tudo está normal e tranquilo dias estranhos chegam para nos sacudir. É sempre assim. E como se reage a dias estranhos? Quais são as nossas atitudes?

Onde você estava quando crucificaram Jesus?

Imagine quantas pessoas conheceram Jesus naqueles três anos de ministério. Anos muito movimentados, que os autores dos evangelhos se esforçaram para resumir. Tanta gente que só dava para citar em pequenos trechos.

Por onde passava o Messias era seguido pelas multidões. Gente, gente, muita gente. Assessorado pelos doze apóstolos Jesus anunciava a Palavra. As multidões o procuravam sem parar mesmo quando se retirava para as orações. Quando tentava descansar outras multidões se formavam e Jesus se compadecia deles... mais pregação.

Quando ia para casa teve gente descendo pelo telhado, só para receber uma cura. Até mesmo em altas horas da noite veio Nicodemos bater na porta de Jesus, para tirar dúvidas sobre o reino de Deus. Pessoas de várias cidades passaram a seguir os ensinamentos de Jesus. Os mais próximos, certamente, eram os apóstolos, que trabalhavam diretamente para ele. Era uma equipe que tinha o privilégio de cear, estar em comunhão com o Filho do Homem.

Por mais cansativa e puxada que fosse aquela rotina era bom estar com Jesus. Como bem afirmou Pedro, só Ele tem as palavras de vida eterna. Perto dele se testemunha milagres, curas, libertação. Na companhia dele nada falta pois Ele pode até multiplicar pães e peixes para alimentar a multidão.

Era tão bom estar perto dele que era difícil entender e levar a sério os seus avisos. Dias estranhos estavam por vir:

“... e o Filho do Homem será entregue aos principais sacerdotes e aos escribas; condená-lo-ão à morte e o entregarão aos gentios, hão de escarnecê-lo, cuspir nele, açoitá-lo e matá-lo, mas, depois de três dias, ressuscitará” (Marcos 10:33-34).

Quem toma a decisão de seguir Jesus passa a trabalhar a serviço do reino. O desejo de todo aquele que lidera é poder ter com quem contar. Muitas vezes abrimos a boca pra afirmar: “pode contar comigo!”. Mas o que acontece quando chegam os dias estranhos?

Jesus foi preso, julgado, escarnecido, açoitado e crucificado. O cenário de sua morte era o oposto da rotina de seu ministério – vazio. Os apóstolos foram os primeiros a correr, atordoados, com medo de serem presos. Um negou que o conhecia. Outro se suicidou.

Nenhum daqueles que ouviam as pregações fizeram manifestações de apoio a Jesus. Os que receberam curas não o acompanharam até o calvário. Nenhum parente, nenhum amigo. Alguns poucos olhavam, mas apenas de longe. Jesus deu seu último suspiro. Onde estava todo mundo?

Ainda faltava o velório. Jesus teve que providenciar seu próprio funeral, pois não teve com quem contar. Havia uma profecia a ser cumprida nessa hora, de que com o rico estaria em sua morte (Isaías 53:9). Quando alguém muito querido morre uns ficam chorando desesperados e outros precisam manter o controle para cuidar dos preparativos do funeral. O Espírito Santo convocou para essa missão duas pessoas improváveis até aquele momento.

Ao final daquela estranha sexta-feira surge José de Arimatéia, que servia ocultamente a Jesus, por medo dos judeus. Quem vivia se escondendo fez o que um apóstolo deveria ter feito. Mortes de cruz eram programadas para serem lentas e dolorosas. Deveria levar três dias, mas Jesus morreu em três horas, por isso Pilatos se espantou quando José pediu autorização para tirar Jesus da cruz.

Ele tinha pouco tempo para sepultar o corpo, antes da viração do dia. Se o sábado chegasse ninguém poderia tirar o corpo de lá. O ajudante na missão foi Nicodemos, aquele que só procurava Jesus a noite, que trouxe os aromas para preparar o corpo (João 19:39). Cristo foi sepultado em cova de rico, novinha, que José havia feito para si.

Certamente era insuportável o silêncio daquele sábado, com ruas vazias. Todos, incluindo os seguidores de Cristo se preocupando em serem religiosos, guardando o sábado, vindo a calhar com a poeira ainda não sentada daquela sexta-feira.

Já dissemos pro nosso líder, nosso pastor, que podem contar conosco. Dissemos pra Jesus que ele pode contar conosco. Será? Essas palavras valem também para os dias de grandes desafios?

Naquele sábado nada aconteceu, aparentemente. Cristo, após ser crucificado, permanecia ocupado, dessa vez, saqueando o inferno, antes de ressuscitar no domingo. Todos se esconderam, se omitiram. Enquanto isso Jesus estava tomando de volta para si as almas, esfregando na cara de Satanás a conta totalmente paga dos nossos pecados.

Quando tudo parece estranho, sob grande pressão, desafio, tem gente que se apavora, desiste, se esconde. Para quem segue Jesus sempre chega o dia de dar a cara à tapa. Até os “agentes secretos” José de Arimatéia e Nicodemos atenderam a esse chamado, na hora certa. Seus corações foram constrangidos a isso. Um constrangimento que lança fora o medo e os impedimentos.

A tarefa continua sendo a mesma, saquear o inferno diariamente, salvando vidas. O Senhor está dizendo: “vamos lá!”. Assim como esses dois seguidores de Jesus, continuamos tendo pouco tempo para agir e fazer a nossa parte.
Site MANT Belém

domingo, 29 de novembro de 2009

Crônica – Chifre neles!

“Deus faz que o solitário viva em família; liberta aqueles que estão presos em grilhões...” (Salmos 68:6).

Dizem que a natureza é sábia e nos ensina lições de vida. Que bobagem! Quem ensina é Deus, através das coisas que Ele mesmo criou. Por isso não é de admirar o sucesso na internet do vídeo estrelado por búfalos, versus leões, versus crocodilo. O quê? Você ainda não viu? Confira no final do texto. Imperdível!

Essas imagens nos remetem ao valor da família – que é e sempre será a menina dos olhos de Deus. Certamente isso explica o fato dela estar sempre no alvo do Inimigo, para ser atacada e destruída.

A família é forte como um búfalo, imponente e com habilidades para se defender e atacar. Nesse vídeo temos um exemplo da estratégia do Inimigo, atacando a parte mais fraca e vulnerável da família. Isso acontece geralmente com os filhos, inexperientes e mais expostos aos perigos do mundo. São presas mais fáceis durante um ataque. É curiosa a reação da mãe do filhote de búfalo, que no momento do pânico fugiu apavorada.

Muitas mães se desesperam desse jeito, e isso é compreensível. Só que a Palavra nos diz : “Eis que os filhos são herança do Senhor, e o fruto do ventre o seu galardão” (Salmos 127:3). Quem se conforma em perder a sua herança, de mão beijada, sem lutar, ficando de braços cruzados? Com raras exceções, todas as espécies defendem com unhas e dentes suas crias. Não somos diferentes.

Entre tantas súplicas e lágrimas derramadas em orações milhares de pessoas intercedem pelos seus familiares. Somente o Senhor pode ser nossa esperança infalível e a força que precisamos para lutar por familiares que estão nas garras de leões famintos. E quando a desgraça já parece completa chegam os crocodilos para afligir mais ainda. O que mais falta acontecer para defendermos nossa família?

Quando Deus acalma o nosso coração podemos ter discernimento para contra-atacar. Uma família unida é mais forte. Guiados pelo Senhor somos capazes de realizar proezas para defender um dos nossos.

Mesmo nas tribulações não podemos esquecer esse sentimento de unidade, de pertencimento a um grupo. Isso vai além de um sobrenome. Temos que lembrar que somos de uma família específica – a família da promessa. Foi com essa família que Deus fez uma aliança. A partir de Abraão toda a sua descendência seria abençoada pelo Senhor.

Isaque foi a primeira pessoa a reivindicar essas bençãos, na condição de descendência. É o mesmo que pensar: se Deus diz que tenho uma herança então ela é minha! Quando os leões e crocodilos estiverem com os dentes cravados em nossos pescoços é disso que devemos lembrar, pois Deus não vai desamparar quem Nele crê.

Não foi fácil a maratona de Isaque, cavando poços e mais poços, que foram entulhados pelas invejosas feras. “E tornou Isaque e cavou os poços de água que cavaram nos dias de Abraão seu pai, e que os filisteus entulharam depois da morte de Abraão, e chamou-os pelos nomes que os chamara seu pai” (Gênesis 26:18).

É admirável a atitude de Isaque em lutar por aquilo que era da família. Ele não estava pedindo favor a ninguém – estava reivindicando sua herança, aquilo que sei pai nomeou. O que Deus nos dá é nosso e não pode virar comida de leões e crocodilos. Se Deus nos promete algo isso já é nosso – é da família. Você é da família? Chifre neles!

“Mas nós, irmãos, somos filhos da promessa como Isaque” (Gálatas 4:28).

CONFIRA O VÍDEO
Site MANT Belém

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Crônica – Dia e Noite

“Disse também Deus: Haja luzeiros no firmamento dos céus, para fazerem separação entre o dia e a noite; e sejam eles sinais, para estações, para dias e anos...

... E viu Deus que isso era bom”
(Gênesis 1:14 e 18).

Gosto de saber que Deus sabe o que é bom, desde o princípio. Enquanto criava todas as coisas, caso não gostasse de algo, bem que Ele poderia apagar com uma borracha e tentar novamente. Mas, perfeito como é, sempre acertava de primeira, e ao final atestava: é bom. Não foi diferente quando dividiu o tempo.

É simples assim – dia e noite. São doze horas para cada momento, e cada luzeiro cumpre o seu papel na hora certa. Nós, e o planeta, seguimos esse ritmo, que para Deus é perfeito.

O raiar do sol é como a largada da nossa jornada diária. Corremos para dar tempo de cumprir as principais tarefas do dia, antes que o sol se vá. As plantas fazem a festa da fotossíntese, florescem, frutificam. Já os animais, ora, cumprem suas tarefas animais. A noite, para muitos, é uma recompensa. Para outros é como uma parada forçada, já que o sol não faz hora extra como eles.

Pense numa planta. De dia ela deve ser adubada, regada. Mas é a noite, quando ninguém está vendo, que ela realmente cresce e se prepara para abrir as novas folhas e flores. As plantas curtem o orvalho na noite silenciosa, já que os pássaros cantores estão exaustos. Nosso organismo se desenvolve enquanto dormimos. O cabelo cresce e as crianças acordam um pouquinho mais altas.

Dia e noite. Observando esses dois momentos podemos aprender que na vida, há tempo para todas as coisas. Só não dá para embaralhar ou subverter aquilo que Deus já separou. À noite, enquanto você testemunha que a natureza descansa (menos você), lembre do que Deus está dizendo: separe as coisas.

A noite é para repensar, descansar, se preparar, sonhar. O dia é para por tudo em prática, correr atrás, lutar, colher, construir. Há fases e momentos na vida que são noite. Por mais que estejamos preocupados e ansiosos não poderemos antecipar, em nenhum segundo que seja, o raiar do dia: “Portanto, não vos inquieteis com o dia de amanhã, pois o amanhã trará os seus cuidados; basta ao dia o seu próprio mal” (Mateus 6:34).

Esperar é difícil, mas Jesus explica a vantagem: “O reino de Deus é assim como se um homem lançasse a semente à terra; depois dormisse e se levantasse, de noite e de dia, e a semente germinasse e crescesse, não sabendo ele como” (Marcos 4:26-27). Plantas e bichos não se preocupam, não se estressam, e diariamente recebem de Deus tudo o que precisam. Descanse no Senhor!

Mas, se é dia, não dê uma de dorminhoco. Não se esconda da luz. Não perca os compromissos, as oportunidades. “O que lavra a sua terra virá a fartar-se de pão, mas o que se ajunta aos vadios se fartará de pobreza” (Provérbios 28:19). É, eu também prefiro o pão.

Dia é dia, feito para arregaçar as mangas, para o trabalho e batalhas diárias. Nossa tarefa é descansar (crer). Deus acorda mais cedo para fazer a parte Dele: “O cavalo prepara-se para o dia da batalha, mas a vitória vem do Senhor” (Provérbios 21:31).

O que é da noite eu faço à noite. O que é do dia faço de dia. Isso é bom!
Site MANT Belém

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Crônica - Vem vindo o Rei!

“O teu trono, ó Deus, é para todo o sempre...” (Sl 45:6).

Tenho andado constrangida porque não sei me portar diante de uma majestade. A frase que dá título ao texto é comum naqueles filmes medievais. Bastava ouvir que o rei estava chegando para os súditos ficarem alvoroçados. Uns iam logo preparar presentes, com o melhor que tinham, para agradá-lo. Outros caprichavam nas vestes, para quando ele passasse. E quando ele chegava, ai daquele que não se ajoelhasse, ficando prostrado no chão, saudando o rei.

Sempre foi complicado entender essa mistura de temor e comoção social que reis e rainhas exerceram nas pessoas. Quem tentaria dizer a um britânico que é bobagem reverenciar a família real em pleno século 21? Quem sabe nós brasileiros, que já chutamos há muito tempo os nossos monarcas? Eu nunca entendi a dimensão e o peso de uma coroa, por estar acostumada com o presidencialismo.

Só que agora eu sei que tenho um Rei. A parte constrangedora é que não sei como me portar diante Dele. Esse é um Rei muito diferente. Ele é o Rei da Glória, o Deus da criação, que conhece cada estrela pelo nome. Reina nos céus, reina na terra. O poder está nas mãos Dele.

Mas será que ficamos alvoroçados quando alguém, com tamanha majestade, está diante de nós? Antigamente os reis eram temidos, amados, admirados, mesmo por quem só ouvia falar deles. Não havia revistas, jornais nem internet, mas eles se faziam respeitar por vastos territórios. É incrível notar no livro de Ester, por exemplo, que um simples selo feito com o anel do rei, tinha peso de lei diante das províncias, decretando vida ou morte (Et 3:12).

Adiei esse texto durante meses, com receio em falar sobre majestade. Eu pensava: se eu postar agora vão achar que eu estou falando daquele outro rei. O tempo passou e nada: Xi, agora podem pensar que é desse outro aqui, ou dessa aqui. Inventamos tantas majestades: na música, no esporte, na televisão. Em cada área de nossa vida coroamos alguém. E como o povo fica alvoroçado!

Mas e o verdadeiro Rei? Quem saúda? Quem louva? Quem teme? Quem se prepara para recebê-lo? Nosso problema é não reconhecer a majestade do Senhor e permanecer ignorando a reverência, como se Ele não merecesse. Para complicar ainda mais o verdadeiro Rei se comporta de uma forma nada comum para alguém do Seu porte. Pense agora:

Você deixaria sua mãezinha de 75 anos carregar as pesadas sacolas de compras no seu lugar? Já imaginou Oscar Niemeyer construindo a casinha do seu carrocho vira-latas? Que tal Fernanda Montenegro servindo você no restaurante? Você deixaria Nelson Mandela engraxar os seus sapatos? Que absurdo não é mesmo? Quem sou eu?

Foi a maior piração para João Batista receber Jesus para o batismo. Logo ele, que vivia anunciando a chegada Daquele “que é mais poderoso do que eu, do qual não sou digno de, curvando-me, desatar-lhe as correias das sandálias” (Mc 1:7).

Se isso é piração, o que dizer quando o Rei decide morrer por você, numa humilhante crucificação? Eu mal conseguia escolher uma foto para essa postagem, por não conseguir achar uma coroa pomposa o bastante para Ele. Eu havia esquecido que o dono do ouro e da prata deixou sua coroa antes de vir a terra, para ser como nós. Antes de voltar para Sua glória Ele a trocou pela coroa de espinhos.

Quando consigo visualizar uma gota dessa majestade eu fico constrangida e piro ao perceber a miséria de adoração e reverência que tenho oferecido a Ele, que não carregou minhas sacolas, não me serviu a mesa, nem engraxou meus sapatos, mas deu a vida por mim, como se fosse um plebeu qualquer.

Por incrível que pareça o primeiro a ver o Rei Jesus foi o cego Bartimeu. Ele foi o primeiro a reconhecê-lo como majestade ao clamar: “Filho de Davi, tem misericórdia de mim!” (Mc 10:48). Foi o primeiro a fazer referência a linhagem real de Jesus, já que o povo sabia que o Messias viria da família daquele cujo trono seria eterno (1 Cr 17:14).

Bartimeu, ainda cego, viu o Rei e o adorou, como o menor dos súditos. Por cegueira, surdez ou insensibilidade seguimos ignorando o Rei. Muitos de nós não tem as palavras do Rei como lei. Não há a merecida reverência, nem se preparam as vestes e a casa para recebê-lo. Não há alegria, ansiedade, temor nem alvoroço quando ouvimos: “Vem vindo o Rei!”. Ele sim é o Rei. Os outros são os outros.

Sabe, assim como João Batista, eu não sou digna de desamarrar os cadarços de Jesus. Nenhum desses reis e rainhas por aí me amou nem amará (não sabem nem o meu nome). Mas sem que eu possa entender (e nem precisa) o Rei disse que me ama naquela cruz. E é por isso que não consigo mais ficar indiferente, nem que seja para acordar e dizer: “Bom dia Rei!”


“Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus”
(Mc 3:2).

“Eu te exaltarei, ó Deus, rei meu, bendirei o teu nome pelos séculos dos séculos”
(Sl 145:1).
Site MANT Belém

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Crônica – Aquele que levanta

Já andou de cabeça baixa alguma vez? São aqueles momentos em que tentamos ser invisíveis e desviamos o olhar, pois é difícil andar de cabeça erguida. Tarefa mais fácil é lembrar o que nos fez viver de cabeça baixa. Independente dos motivos há uma ótima notícia:

“Porém tu, Senhor, és o meu escudo, és a minha glória e o que exaltas a minha cabeça” (Salmos 3:3).

Deus é aquele que levanta a minha cabeça. Ele sabe o que sentimos e não quer nos ver para baixo, encurvados, arrasados, nem desviando o olhar.

Para se poupar de mais uma humilhação se baixa a cabeça. Não olhamos para frente quando estamos tomados pelo medo, cansaço, pessimismo. Por vergonha não conseguimos encarar aqueles de quem perdemos a confiança. Baixamos a cabeça para não sermos notados, criticados, cobrados. Baixamos a cabeça como um avestruz amedrontado, para fugir dos credores, dos desafios, da realidade.

Perdemos a identidade quando olhamos para baixo. Gastamos precioso tempo com o pensamento de que não somos nem podemos nada. Ignoramos o que nós somos para Deus. Não, não olhe pra baixo:

“Porque o Senhor Deus me ajudou, pelo que não me senti envergonhado; por isso fiz o meu rosto como um seixo e sei que não serei envergonhado.

Perto está o que me justifica; quem contenderá comigo? Apresentemo-nos juntamente; quem é o meu adversário? Chegue-se para mim” (Isaías 50:7-8).

Seixo é definido como um fragmento de rocha, um tipo de pedregulho. Não parece grande coisa, mas foi com cinco pedras de seixo que Davi, o franzino pastor de ovelhas, se armou para enfrentar o gigante (I Sm 17:40). Bastou uma para derrubar Golias no chão.

Como é possível vencer usando pedregulho? Será que não vou passar vergonha? O seixo é apenas um instrumento. Se nossa identidade for como o seixo é porque damos licença para o poder de Deus operar em nós. Operar coisas grandes, mesmo quando parecemos insignificantes com os nossos pedregulhos.

É como se você fosse uma criança que volta chorando da rua, pois alguém lhe humilhou. O Pai amoroso decide interromper aquela tristeza. É quando segura no seu queixo, levanta seu rosto e lhe enxuga as lágrimas. “Levante a cabeça meu filho! Ninguém vai te humilhar pois teu pai está aqui”!

Deus levanta a sua cabeça para que você possa perseverar, recomeçar, lutar, criar, viver, sonhar. Ele levanta sua cabeça, para que você olhe para Ele e não temas, absolutamente nada.
Site MANT Belém

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Crônica – Um adorador

Adorar ao Senhor é preciso. Adorá-lo para, entre tantos motivos, declarar que Ele é digno. Quem não deseja entrar para a lista de adoradores, dos verdadeiros adoradores – aqueles a quem Ele procura? Para ser chamado assim alguns desejam ser tomados pelo mesmo sentimento que moveu Davi, em cada salmo escrito. Outros preparam o seu nardo puro para, sem receios, despejar sobre Jesus.

Podemos caprichar na adoração, só não vamos conseguir repetir a adoração de um certo cara. De fato ninguém pode. Nessa hora você se pergunta: o que esse cara fez que eu não posso fazer? Daí eu responderia que não dá nem para tentar, pois é simplesmente impossível fazer o mesmo. Você responderia que não há limites para a adoração.

Mas quem poderia adorar dentro da barriga da mãe?

“Disse-lhe, porém o anjo: Zacarias, não temas, porque a tua oração foi ouvida; e Isabel, tua mulher, te dará à luz um filho, a quem darás o nome de João... Pois ele será grande diante do Senhor, não beberá vinho nem bebida forte e será cheio do Espírito Santo, já do ventre materno” (Lucas 1:13-15).

Ele nasceu para adorar. O alvo de sua adoração estava em outro ventre - o da prima de sua mãe. Ele não pôde esperar para adorar. A mãe contou que, só de ouvir o som da visita que chegou a Judá, “a criança estremeceu de alegria dentro de mim” (Lucas 1:44). Quem sabe, de ventre para ventre, ele não estava cantando (na versão Fernandinho): “Emanuel, Emanuel, Emanueeeeeel”!

João Batista vivia para adorar. Não perdia tempo. Não estava preocupado com as tendências da moda, e usava vestes feitas de pêlo de camelo. Também não precisava de banquetes, contentando-se com gafanhotos e mel silvestre (Marcos 1:6). Nem ligava para o calor e desconforto e seguia clamando pelo deserto. João adorava Jesus ao preparar o caminho para Ele.

Se não nascemos adorando, podemos imitar João nessa parte, e viver adorando. Não apenas com palavras, canções ou danças, mas ganhando vidas – a melhor forma de agradar ao Senhor.
Site MANT Belém

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Crônica – Eu escrevo

“A saudação é de próprio punho...” (Colossenses 4:18).

Nunca havia agradecido a Deus por saber escrever. A Palavra ensina que devemos ser gratos em tudo, e eu esqueci justamente disso.

A mancada foi corrigida a poucos dias, após assistir a um comercial. Uma imagem em flashback mostrava na tela: 1989. Na mesma hora resgatei na memória o que eu fiz de importante naquele ano. “Ah, é claro! Eu aprendi a ler e escrever”. Me enchi de felicidade e gratidão. Foi uma grande vitória.

Não sou escritora nem letrada, mas vivo escrevendo. Sem uma caneta e um pedaço de papel sou como um policial sem arma ou jogador sem chuteira. Escrevo no papel, escrevo no computador e até na mente.

Escrever é importante e não é de hoje. Ainda lembro da linha do tempo que meu professor de História desenhou na lousa, representando a trajetória dos homens. De um lado pré-História, do outro História. O que dividia os lados era a escrita. Ele foi enfático ao afirmar que os homens só começaram a ser históricos pela capacidade de escrever, ou seja, de registrar os fatos.

Nenhum cientista poderá me convencer de que os homens de antiguidade curtiam a ideia de viver numa caverna, sem ventilador. Na verdade eles estavam ali para ultrapassar a linha do tempo, para o lado da escrita. Naquelas paredes dava para registrar as coisas, longe da chuva, sol e vento que pudessem apagar tudo.

Desde então a escrita tem sido um passaporte, licença para fazer história. Licença para registrar, reproduzir, comunicar. Há poder na escrita. Não foi a toa que o próprio Deus encomendou o primeiro out-door de que se tem notícia: “Então o Senhor me respondeu, e disse: Escreve a visão e torna bem legível sobre tábuas, para que a possa ler quem passa correndo” (Habacuque 2:2).

Deus escreve. Foi com a letra do Senhor que os dez mandamentos foram ensinados aos homens, através das tábuas da lei (Êxodo 20). Ele também nos deixa escrever e participar da história. Foi com a letra de Moisés que surgiu a Torá, com o restante dos livros da lei.

O apóstolo Paulo foi muitíssimo grato por saber escrever. “A saudação é de próprio punho: Paulo. Lembrai-vos das minhas algemas...” (Colossenses 4:18). Paulo precisava compartilhar com as igrejas e centenas de filhos espirituais o que estava recebendo de Cristo. Precisava dar palavras de conforto, exortação, esperança e saudação, e fez isso através das cartas.

Dê uma olhada nesse pedacinho da carta a Filemom. Isso deu trabalho! Mesmo com mãos algemadas ele dizia com alegria que tudo foi escrito por seu próprio punho. Em cada carta ele acreditava no poder de multiplicação do que escrevia, e por isso orientava:

“E, uma vez lida esta epístola perante vós, providenciai por que seja também lida na igreja dos laudicenses; e a dos de Laudicéia, lede-a igualmente perante vós” (Colossenses 4:16). É Paulo, nós também estamos lendo, de todos os cantos do mundo.

Quero sentir a mesma alegria e gratidão de Paulo com a escrita. Quando um adulto analfabeto aprende a escrever é uma grande vitória, pois passa a entender o poder que há na escrita. Paulo não era nem pretendia ser escritor, apenas queria fazer história e ajudar os outros a também fazer.

Deus deve ter uma caneta, já que escreveu o meu nome na palma de Suas mãos (pra sempre lembrar de mim) (Isaías 49:16). Por mais que Ele mesmo se disponha a escrever desejo que me dê a oportunidade semelhante a que deu a Moisés, para escrever também. Afinal, eu sei escrever!

Obrigada Pai por esses vinte anos de praia...
Site MANT Belém

domingo, 20 de setembro de 2009

Crônica – Essa aguenta!

No finalzinho de 2008 passou uma reportagem na TV que achei muito legal, sobre as famosas panelas de barro do Espírito Santo, totalmente indispensáveis para a culinária capixaba. Quando percebi já estava de olhos grudados na tela, acompanhando a confecção artesanal das peças. Na expectativa de entrar no ano da plenitude do Espírito Santo (o próprio) lembrei, é claro, da passagem bíblica do Oleiro.

Enquanto a mulherada amassava com vigor a matéria-prima eu estava empolgada com a ideia de ser moldada pelas mãos do Senhor, para ser um vaso de honra, para ser cheia do Espírito, da plenitude. “Não poderei eu fazer de vós como fez este oleiro, ó casa de Israel?” (Jr 18:6). “Ai que legal! Me molda Senhor!!!!”, pensei.

Depois perguntei: “por que barro Pai? Isso 'guenta'?” A primeira vista parece estranha a escolha desse material nada nobre e relativamente frágil para fazer novas criaturas, ao gosto de Deus. Só deixei essa dúvida de lado um instante para me perguntar como uma panela de barro suporta o fogo na hora do preparo dos pratos tradicionais.

Tentei lembrar das aulas de Física para saber se o barro é considerado um bom condutor de calor (o Google disse que não). De qualquer forma eu achei legal a relação vaso do Espírito Santo e panela do Espírito Santo (ES). “Ai que legal, Pai. Eu sou como o barro nas Tuas mãos. Olha eu aí”, continuava empolgada.

É. Só que a passagem do Oleiro só mostra a etapa de moldagem, do barro molinho, molinho. Ainda de olhos esbugalhados diante da tela, bancando o vaso (ou melhor, panela) vi que o processo não terminava aí.

Foi quando, sem mais nem menos, sem dó nem piedade, as mulheres tascaram as panelas no meio do fogo. Como ainda estava fingindo que era eu foi como uma cena de filme de terror com aquela musiquinha de suspense ao fundo. “Aaaaaaaai, me lasquei”.

Olhando, eu não sabia dizer se estavam fabricando ou destruindo as panelas, pois virou um amontoado de panelas e cinzas. Com umas varas a mulher cutucava de longe as peças e batia no fundo, cheia de habilidade, sem medo de deixar cair. Era a confiança de quem já havia feito centenas daquelas. Ainda tinindo, elas tascaram tanino retirado de cascas de árvore na superfície, para dar a coloração, que fervilhava. “Aaai”.

O fato é que as benditas, de tão tradicionais, viraram patrimônio da cultura local. Sem uma legítima panela de barro capixaba é impossível fazer uma autêntica moqueca capixaba. São panelas que ressaltam o paladar e deixam tudo mais apetitoso. Há uma técnica para preparar a argila, moldar, dar acabamento e certificar a boa queima, para que a panela não rache ou fique trincada. Depois disso elas “guentam” que é uma beleza. E quanto mais se usa melhor ficam.

“Puxa, Pai. O Senhor vai me tascar no fogo né, pra eu ficar no jeito”. Já havia aprendido que transformações também podem ser processos doloridos. Se não o são, certamente deixaram uma marca, afinal Deus não seria Oleiro para deixar o serviço pela metade e deixar o vaso mole se desfazer todo.

Após tomar uma aguinha para me recompor disse: “é Pai, não sei como irás fazer, mas eu quero ser um vaso (ou panela) feita no fogo, que depois aguenta o fogo sem me desfazer, cada vez melhor”. Antes o fogo de Deus; chama transformadora, purificadora. Como a brasa que tocou Isaías, para que passasse de um homem com lábios impuros para grande profeta usado por Deus (Isaías 6:7).

Mais adiante eu li algo que confrontava com a minha empolgação com o barro. “Ora, numa grande casa não somente há vasos de ouro e de prata, mas também de pau e de barro; uns para honra, outros, porém, para desonra” (II Tm 2:20).

De fato, o barro nunca foi nobre. É, mas até então eu nunca vi uma passagem onde Deus faz referência a si mesmo como “o Ferreiro”, “o Metaleiro” ou “O Ourives, mas sim “O Oleiro”. É fácil e confortável desejar ser um vaso de ouro ou de prata. Mas as vezes isso nos faz esquecer de nossa real condição.

Um vaso de barro é firme, mas é barro. Se cair quebra. Da mesma forma, quando nos afastamos de Deus, caímos e quebramos. Não há como mudar isso – se cair, quebra. Ação, reação. Mas enquanto estiver em seu devido lugar, manuseado com o devido cuidado, continuará firme. Firme do jeito que foi fabricado, com as próprias mãos do Senhor. Cada detalhe, feito com carinho e atenção. O meu conteúdo fará toda a diferença.
Site MANT Belém

  © Blogger template Simple n' Sweet by Ourblogtemplates.com 2009

Back to TOP