sexta-feira, 31 de outubro de 2008

As obras da carne e o fruto do Espírito

“Digo, porém: Andai em Espírito e não cumprireis a concupiscência da carne. Porque a carne cobiça contra o Espírito, e o Espírito, contra a carne; e estes opõem-se um ao outro; para que não façais o que quereis. Mas, se sois guiados pelo Espírito, não estais debaixo da lei. Porque as obras da carne são manifestas, as quais são: prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçarias, inimizades, porfias, emulações, iras, pelejas, dissensões, heresias, invejas, homicídios, bebedices, glutonarias e coisas semelhantes a estas, acerca das quais vos declaro como já antes vos disse que os que cometem tais coisas não herdarão o Reino de Deus. Mas o fruto do Espírito é: caridade, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança. Contra essas coisas não há lei” (Gl 5:16-23).



Introdução
No texto de Gálatas 5:22 e 23 aparecem nove manifestações diferentes do Espírito Santo na vida do crente. Em nosso estudo, vamos considerar dois pontos importantes. O primeiro é que, embora sejam nove, não é dito que são os frutos do Espírito, mas o fruto do Espírito, no singular. Porém, lendo os versos 19 a 21 do capítulo 5 de Gálatas, Paulo menciona no plural as obras da carne. Por que essa diferença de apresentação?

Olhando com cuidado, o leitor da Palavra de Deus poderá detectar a diferença. Talvez, a melhor resposta seja: Se você tiver paciência, bondade, mansidão, mas não for temperante, não terá o fruto do Espírito. Também, se você for temperante, tiver fé e alegria, mas não tiver o amor, você não terá o fruto do Espírito, porque tudo indica que o fruto do Espírito é um “pacote” que se revela na vida do cristão em resultado da presença do Espírito Santo. Entretanto, para se ter as obras da carne, basta permitir que o velho homem se manifeste, e as obras da carne aparecerão automaticamente no plural ou no singular.

Nenhum trecho da Bíblia apresenta um mais nítido contraste entre o modo de vida do crente cheio do Espírito e aquele controlado pela natureza humana pecaminosa do que 5.16-26. Paulo não somente examina a diferença geral do modo de vida desses dois tipos de crentes, ao enfatizar que o Espírito e a carne estão em conflito entre si, mas também inclui uma lista específica tanto das obras da carne, como do fruto do Espírito.

OBRAS DA CARNE






CARNE (gr. sarx) é a natureza pecaminosa com seus desejos corruptos, a qual continua no cristão após a sua conversão, sendo seu inimigo mortal
(Rm 8.6-8,13) e (Gl 5.17,21). Aqueles que praticam as obras da carne não poderão herdar o reino de Deus (5.21). Por isso, essa natureza carnal pecaminosa precisa ser resistida e mortificada numa guerra espiritual contínua, que o crente trava através do poder do Espírito Santo (Rm 8.4-14) e (Gl 5.17 nota) As obras da carne (5.19-21) incluem:

(1) PROSTITUIÇÃO (gr. pornéia), i.e., imoralidade sexual de todas as formas. Isto inclui, também, gostar de quadros, filmes ou publicações pornográficos (cf. Mt 5.32; 19.9; At 15.20,29; 21.25; 1Co 5.1). Os termos moichéia e pornéia são traduzidos por um só em português: prostituição.

(2) IMPUREZA (gr. akatharsia), i.e., pecados sexuais, atos pecaminosos e vícios, inclusive maus pensamentos e desejos do coração (Ef 5.3; Cl 3.5).

(3) LASCÍVIA (gr. aselgeia), i.e., sensualidade. É a pessoa seguir suas próprias paixões e maus desejos a ponto de perder a vergonha e a decência (2Co 12.21).

(4) IDOLATRIA (gr. eidololatria), i.e., a adoração de espíritos, pessoas ou ídolos, e também a confiança numa pessoa, instituição ou objeto como se tivesse autoridade igual ou maior que Deus e sua Palavra (Cl 3.5).

(5) FEITIÇARIAS (gr. pharmakeia), i.e., espiritismo, magia negra, adoração de demônios e o uso de drogas e outros materiais, na prática da feitiçaria (Ex 7.11,22; 8.18; Ap 9.21; 18.23).

(6) INIMIZADES (gr. echthra), i.e., intenções e ações fortemente hostis; antipatia e inimizade extremas.

(7) PORFIAS (gr. eris), i.e., brigas, oposição, luta por superioridade (Rm 1.29; 1Co 1.11; 3.3).

(8) EMULAÇÕES (gr. zelos), i.e., ressentimento, inveja amarga do sucesso dos outros (Rm 13.13; 1Co 3.3).

(9) IRAS (gr. thumos), i.e., ira ou fúria explosiva que irrompe através de palavras e ações violentas (Cl 3.8).

(10) PELEJAS (gr. eritheia), i.e., ambição egoísta e a cobiça do poder (2Co 12.20; Fp 1.16,17).

(11) DISSENSÕES (gr. dichostasia), i.e., introduzir ensinos cismáticos na congregação sem qualquer respaldo na Palavra de Deus (Rm 16.17).

(12) HERESIAS (gr. hairesis), i.e., grupos divididos dentro da congregação, formando conluios egoístas que destroem a unidade da igreja (1Co 11.19).

(13) INVEJAS (gr. fthonos), i.e., antipatia ressentida contra outra pessoa que possui algo que não temos e queremos.

(14) HOMICÍDIOS (gr. phonos), i.e., matar o próximo por perversidade. A tradução do termo phonos na Bíblia de Almeida está embutida na tradução de methe, a seguir, por tratar-se de práticas conexas.

(15) BEBEDICES (gr. methe), i.e., descontrole das faculdades físicas e mentais por meio de bebida embriagante.

(16) GLUTONARIAS (gr. komos), i.e., diversões, festas com comida e bebida de modo extravagante e desenfreado, envolvendo drogas, sexo e coisas semelhantes.
As palavras finais de Paulo sobre as obras da carne são severas e enérgicas: quem se diz crente em Jesus e participa dessas atividades iníquas exclui-se do reino de Deus, i.e., não terá salvação (5.21; ver 1Co 6.9 nota).

O FRUTO DO ESPÍRITO

Em contraste com as obras da carne, temos o modo de viver íntegro e honesto que a Bíblia chama "o fruto do Espírito". Esta maneira de viver se realiza no crente à medida que ele permite que o Espírito dirija e influencie sua vida de tal maneira que ele (o crente) subjugue o poder do pecado, especialmente as obras da carne, e ande em comunhão com Deus (ver Rm 8.5-14 nota; 8.14 nota; cf. 2Co 6.6; Ef 4.2,3; 5.9; Cl 3.12-15; 2Pe 1.4-9). O fruto do Espírito inclui:

VIRTUDES OU QUALIDADES DO FRUTO DO ESPÍRITO
a. Qualidades universais: Amor, alegria e paz. São virtudes direcionadas ao nosso relacionamento com Deus.

(1) CARIDADE (gr. agape), i.e., o interesse e a busca do bem maior de outra pessoa sem nada querer em troca (Rm 5.5; 1Co 13; Ef 5.2; Cl 3.14).

(2) GOZO (gr. chara), i.e., a sensação de alegria baseada no amor, na graça, nas bênçãos, nas promessas e na presença de Deus, bênçãos estas que pertencem àqueles que crêem em Cristo (Sl 119.16; 2Co 6.10; 12.9; 1Pe 1.8; ver Fp 1.14 nota).

(3) PAZ (gr. eirene), i.e., a quietude de coração e mente, baseada na convicção de que tudo vai bem entre o crente e seu Pai celestial (Rm 15.33; Fp 4.7; 1Ts 5.23; Hb 13.20).
b. Qualidades sociais:- Longanimidade, benignidade e bondade. São virtudes direcionadas ao relacionamento entre os cristãos

(4) LONGANIMIDADE (gr. makrothumia), i.e., perseverança, paciência, ser tardio para irar-se ou para o desespero (Ef 4.2; 2Tm 3.10; Hb 12.1).

(5) BENIGNIDADE (gr. chrestotes), i.e., não querer magoar ninguém, nem lhe provocar dor (Ef 4.32; Cl 3.12; 1Pe 2.3).

(6) BONDADE (gr. agathosune), i.e., zelo pela verdade e pela retidão, e repulsa ao mal; pode ser expressa em atos de bondade (Lc 7.37-50) ou na repreensão e na correção do mal (Mt 21.12,13).

(7) FÉ FIDELIDADE (gr. pistis), i.e., lealdade constante e inabalável a alguém com quem estamos unidos por promessa, compromisso, fidedignidade e honestidade (Mt 23.23; Rm 3.3; 1Tm 6.12; 2Tm 2.2; 4.7; Tt 2.10).

Fé (do Grego “pistia”, e do Latim “fides”) significa ter crença em alguma coisa. Mas tem também a conotação de fidelidade. E é nesse sentido de fidelidade a Deus e a Cristo, que nós deveríamos entendê-la.

Fé é uma firme convicção de que algo seja verdade, sem nenhuma prova de que este algo seja verdade, pela absoluta confiança que depositamos neste algo ou alguém. A palavra Fé veio da palavra grega pí•stis, que transmite a idéia de confiança, fidúcia, firme persuasão.

(8) MANSIDÃO (gr. prautes), i.e., moderação, associada à força e à coragem; descreve alguém que pode irar-se com eqüidade quando for necessário, e também humildemente submeter-se quando for preciso (2Tm 2.25; 1Pe 3.15; para a mansidão de Jesus, cf. Mt 11.29 com 23; Mc 3.5; a de Paulo, cf. 2Co 10.1 com 10.4-6; Gl 1.9; a de Moisés, cf. Nm 12.3 com Êx 32.19,20).

(9) TEMPERANÇA (gr. egkrateia), (ego-krateia, Governo Interior)., o controle ou domínio sobre nossos próprios desejos e paixões, inclusive a fidelidade aos votos conjugais; também a pureza (1Co 7.9; Tt 1.8; 2.5). A temperança é uma das virtudes propostas pelo cristianismo. Temperança significa equilibrar, colocar sob limites, "moderar a atracção dos prazeres, assegura o domínio da vontade sobre os instintos e proporcionar o equilíbrio no uso dos bens criados". Essa virtude serve para controlar o pecado da gula.

Temperança: Parece ser o somatório de tudo. Quem a possui tem o domínio próprio.

(a) Nas palavras: Há um ditado popular que afirma: 'Não devemos falar o que sabemos, mas sim, sabermos o que falamos'. Isto é o que se pode chamar de sobriedade, domínio próprio. Leia Tg 3:2.

(b) Nas ações: Quatro jovens judeus, levados cativos para a babilônia, foram escolhidos por Nabucodonosor para realizarem um curso, e depois servirem ao governo caldeu. O rei ordenou que os alimentasse com todas as iguarias da mesa real. Daniel e seus companheiros propuseram em seus corações (leia Dn 1:8). Solicitaram então, ao despenseiro que lhes fornecesse apenas legumes durante dez dias. Se após este período. seus semblantes estivessem abatidos, aceitariam o manjar do rei. No entanto, se apresentassem bom estado de saúde, continuariam com a refeição escolhida por eles até o final daquele treinamento. Após aquele período de dez dias, seus semblantes eram melhores do que os dos demais jovens. Por isso continuaram com aquela alimentação, à base de legumes, até o final do curso. Esta é uma demonstração de força de vontade, temperança e sobriedade dos quatro judeus.

(c) Nos pensamentos: Por falta de domínio próprio, Davi - cedeu a tentação que o naufragou no pecado e o fez pagar as conseqüências pelo resto da vida. Era a época em que os reis saíam para a guerra. No entanto, ele passeava no terraço de sua casa real. Seu pensamento vagava distante, em busca de algo que satisfizesse o seu ego. Repentinamente, deparou-se com uma cena que o devorou, como uma labareda de fogo a consumir algo inflamável: uma mulher banhava-se, nua, no quintal de sua casa. A chama da sensualidade acendeu o desejo incontido no coração do rei de Israel de possuí-la. Quando percebeu o que fizera, já era tarde demais: havia se deitado com ela e tinha ordenado a morte de seu marido. Tudo isso aconteceu por falta do autocontrole do pensamento que o levou a cometer aquela loucura. Leia 2 Sm 11:1

O pecado da gula representa o desejo insaciável do ser humano de ter sempre mais do que já tem e precisa. Na maioria das vezes, as pessoas consideram a gula o pecado de comer excessivamente e mais do que necessita. Mas esse pecado também está relacionado ao egoísmo humano: querer ter sempre mais e mais, não se contentando com o que já tem. Uma forma de cobiça. A gula é controlada pelo uso da virtude da temperança.

O ensino final de Paulo sobre o fruto do Espírito é que não há qualquer restrição quanto ao modo de viver aqui indicado. O crente pode — e realmente deve — praticar essas virtudes continuamente. Nunca haverá uma lei que lhes impeça de viver segundo os princípios aqui descritos.



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