terça-feira, 10 de março de 2009

Lançando o pão na China

Robert Morrison nasceu na Escócia, em 1782, em uma família muito piedosa, membros da Igreja Presbiteriana. Eram muito pobres e seu pai trabalhava fabricando formas de sapato.

Robert teve que deixar a escola sendo muito novo para poder ajudá-lo, mas como gostava de aprender, seguiu estudando em sua casa. Aos 15 anos compreendeu o que é mais importante compreender: que era um pecador, um homem perdido, e que para salvar-se devia aceitar Jesus como seu Salvador.

Assim o fez e depois disso compreendeu que era seu dever levar a outros a história desse salvador para que todo o mundo pudesse livrar-se de seus pecados.

Depois de trabalhar um tempo nas igrejas da Inglaterra, Morrison se envolveu na Sociedade Missionária de Londres com a ideia de se tornar missionário na China. Nessa época já dominava o latim, o grego e o hebreu.

Não havia até então nenhum missionário protestante na China, mas Morrison se propôs a ser o primeiro. Como o principal trabalho que lhe haviam encomendado era o de traduzir toda a Bíblia para o chinês, se pôs a estudá-lo, enquanto estudava Medicina e Astronomia.

Em uma biblioteca encontrou um manuscrito contendo a tradução de algumas partes da Bíblia e o copiou e estudou detalhadamente, com a ajuda de um chinês que se ofereceu para ajudá-lo. Esse esforço lhe foi muito útil, porque lhe permitiu economizar um tempo precioso quando esteve na China.

Para chegar lá teve que realizar uma viagem de cinco meses. Em 4 de setembro de 1807 chegou a cidade de Cantón, no sul do país, enfrente de outra cidade chamada Macao, uma colônia portuguesa. Ficou ali durante um tempo. Conheceu Mary Morton, com quem se casou em fevereiro de 1809.

Morrison não se deu conta do tamanho das dificuldades que teria que vencer para chegar ali. O que sabia do idioma não lhe permitia fazer a tradução da Bíblia, mas quando buscou a alguém que lhe ensinasse não pôde encontrar, porque existia uma lei que condenava a morte qualquer um que ensinasse o chinês a um estrangeiro.

Finalmente apareceram dois homens que haviam conhecido uns missionários católicos e que aceitaram o trabalho, ainda que cheios de temor. O medo que tinham não tanto pela morte, mas sim pela forma como os matavam, por meio de terríveis torturas. Estavam assustados a tal ponto que sempre levavam consigo um frasco com veneno para se suicidarem, caso fossem descobertos.

Aprender o chinês não era coisa fácil e na época era muito pior, porque não existiam dicionários nem bons professores.

John Wesley dizia que “o chinês era um invento do diabo para que não se pudesse pregar o Evangelho aos chineses”. Milne, um missionário que mais tarde seria o ajudante de Morrison, dizia que “para aprender o chinês é necessário: um corpo de bronze, pulmões de aço, cabeça de carvalho, olhos de águia, coração de apóstolo, memória de anjo ... e a vida de Matusalém”.

Além de trabalhar na tradução da Biblia, Morrison se ocupou em fazer uma gramática e um dicionário, para que os missionários que viessem depois dele, pudessem aprender o idioma facilmente.

Quem verdadeiramente o ajudou muito foi o chinês chamado Tsae A-ko, que ia a noite em sua casa. Fechavam bem as portas e as janelas, para que de fora ninguém visse o que faziam, porque senão sua vida corria perigo, e se colocava a traduzir ou corrigir, enquanto Morrison ensinava ao seu amigo chinês as verdades do Evangelho.

Demorou 14 anos na tradução da Bíblia e 16 fazendo o dicionário, que era de quatro volumes e 4.500 páginas cada um. Tsa A-Ko compreendeu finalmente que aquilo que o missionário lhe ensinava era a Verdade e se batizou em 1814. Tsae A-Ko foi assim o primeiro evangélico chinês.

Depois de ter traduzido a Bíblia, o problema era publicá-la, porque as penas para quem imprimisse livros cristãos eram tão severas como para quem ensinasse o idioma. Afortunadamente, após muito trabalho, Morrison encontrou quem o fizesse, ainda que secretamente. O medo que tinha o impressor fazia que, quando lhe mandava os pacotes com as Bíblias, os cobria os rotulando com um título falso para disfarçar o “perigoso” conteúdo.

Mas Morrison não apenas se dedicou a traduzir, mas chegou a fundar em 1818 uma escola que se chamou Colégio Anglo-chinês, conhecido depois como Ying Wa College. Este colégio foi transferido para Hong Kong no ano de 1843, quando este território passou a se controlado pelos britânicos. Esta instituição permanece na atualidade como uma escola secundária.

Morrison nunca teve boa saúde e, como trabalhava muito, era impossível que se melhorasse completamente. Morreu quase repentinamente, em 1º de agosto de 1834, em Cantón, China, quando tinha 52 anos.

Durante sua vida conseguiu a conversão de pouca gente, mas o trabalho que fez traduzindo a Bíblia e preparando o dicionário e a gramática, tornou possível a conversão de milhares depois de sua morte.

Fonte: Canclini, Arnoldo. Aventuras de Fe y otras (Blog Biografías em espanhol).

Site MANT Belém

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