sexta-feira, 31 de julho de 2009

Crônica – Precisamos comer

“Não seria bom se a gente não precisasse comer?”.

Talvez você tenha achado legal essa possibilidade, assim como minha amiga jornalista, que me perguntou isso certa vez. Tive que discordar completamente dela. Ela ainda tentou explicar novamente: Bom seria, para ela, não sentir a barriga reclamando de fome.

Eu a entendi perfeitamente, pois, se a barriga não ronca com frequência, certamente a pessoa não é jornalista - é um impostor. De jornalista para jornalista eu a entendi, mas, de mulher de Deus para mulher de Deus, discordei. Disse a ela que escreveria um texto provando cientificamente que não deveria pensar assim. Aqui estou!

Vamos começar por esse trecho muito revelador da Palavra de Deus:

“Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas” (Romanos 1:20).

Tá! E que coisas são essas que foram criadas por Deus? Tudo! Não há pessoa mais simples do que Deus. Isso fica provado através das coisas que nos cercam. Vejam só! Ele criou todas as coisas usando apenas quatro ingredientes. É a fórmula da vida, conhecida pela sigla CHON (Carbono-hidrogênio-oxigênio-nitrogênio).

Dependendo da combinação temos coisas diferentes: gás carbônico, chiclete, asfalto, cenoura, chave, árvore, homem, etc. Mas na essência tudo é feito das mesmas coisas. O Senhor nunca disse que fomos feitos de um material específico apenas pelo fato de sermos Seus filhos. Ele revelou em Gênesis que fomos feitos do pó da terra (Gn 2:7). A diferença de nós, em meio a criação, foi o sopro de Deus que nos deu a vida.

Ele poderia sim ter moldado uma série de super-homens, que, de tão perfeitos, não precisariam nem comer. “Ia ser super legal”, pensamos. Mas então porque, antes de nos criar, Deus preparou primeiro a comida?

Adoro comer e sou magra de ruim. Independente disso eu sou apaixonada pelo fato de termos a necessidade de comer. Às vezes, cozinhando, eu fico dizendo como Deus é demais, por causa da comida.

Já parou pra pensar que você é feito daquilo que você come? Comer é um princípio estabelecido por Deus. A sabedoria popular diz que saco vazio não para em pé. Quem não se alimenta não vive.

Se não precisássemos comer iríamos nos sentir como super-homens, independentes, auto-suficientes. Deus não permitiu que fosse assim, pois nos fez programados para sentir fome. É assim que Ele nos salva.

Ao longo da Bíblia são feitas várias analogias das coisas espirituais com os alimentos. A principal delas é o caminho para encontrarmos a salvação e permanecer nela:

“Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém comer deste pão, viverá para sempre; e o pão que eu der é a minha carne, que eu darei pela vida do mundo” (João 6:51).

Me corrijam se estiver errada, mas entre tantos nomes (Cordeiro, Caminho, Bom Pastor, Luz do mundo), Jesus tinha uma forma preferida para se referir a si mesmo: Pão da vida. Ele repetiu isso várias vezes. Jesus fez questão de dizer que Ele é alimento. Glórias a Deus!

Jesus usou o princípio existente desde a criação – a fome. Essa sensação é a mais particular de todas. A única coisa que qualquer ser humano não esquece num intervalo de 24h é o alimento, afinal a barriga roncante não nos deixa esquecer.

Com isso o Senhor associou a nossa principal necessidade física a uma prioridade espiritual. Jesus não escolheu ser um alimento consumido de vez em quando, e sim o pão. Se os brasileiros não conseguem passar um dia sem comprar uns carequinhas na padaria, imagine nos tempos de Jesus na terra?

O pão, nas sociedades orientais, é mais importante do que a nossa farinha ou feijão com arroz. É algo mais do que essencial, é especial. O pão carrega consigo o sentido da comunhão, sendo partido na mesa, alimentando a todos. O pão é uma mistura simples, da farinha com um pouco d'água, amassada com as mãos. Diferente dos pães que comemos por aqui, o resultado da massa tradicional realmente mata a fome, a exemplo do milagre da multiplicação de pães e peixes.

Jesus escolheu ser o pão, o alimento inseparável. Com isso Ele diz que nós precisamos Dele, e sem Ele passamos fome. Os homens passam fome espiritual, desde a queda de Adão. Logo após ser criado o primeiro homem ia atrás de alimento. Todos os dias, na virada da tarde, ele estava lá, no lugar marcado, para se encontrar com o Pai. Era o momento de se alimentar da Palavra.

Mas um trapaceiro criou uma tática inspirada no princípio da alimentação. Ofereceu ao homem um alimento sujo, podre, que não alimentava, mas sim matava. Através desse fruto o homem se afastou de Deus e passou a ter fome. Essa é a fome espiritual que toda a humanidade passou a ter.

Quando Jesus chegou anunciou que os tempos de fome estavam chegando ao fim, pois Ele é o alimento. Ao contrário do fruto sujo que a serpente oferece, Ele garante a vida eterna através de Seu alimento - Sua Palavra, ou seja, Ele mesmo.

Vida eterna, mas na condição de nos alimentarmos sempre. É diferente de um remédio, que você toma e fica bom. A alimentação é constante, para ninguém ficar fraco, debilitado, desnutrido. "Puxa, hoje eu não comi", pensei, ao lembrar que não havia buscado a Palavra naquele dia. Foi a poucos minutos antes de ter um "bug", pois também não havia me alimentado direito (de comida).

Comer é maravilhoso! Deus tornou algo extremamente necessário em algo agradável. Todo alimento criado por Deus é um festival de sabores, texturas, cores e aromas. É fantástico testemunhar a grandiosidade do Criador através do cheiro do azeite de oliva, da textura de um gomo de laranja, da cor do tomate fresquinho, e do sabor do açaí. Deus criou a fome, mas tornou a alimentação em prazer indescritível; um passeio por sensações.

Por sermos feitos daquilo que comemos somos beneficiados pelas vitaminas, sais minerais e proteínas que eles contêm. Coisas de Deus! Alimentação é só vantagem. A Palavra alimenta com sensação melhor do que um prato suculento.

Da mesma forma, na analogia física-espiritual, o Senhor colocou a fome em nós como sinal de alerta, para não estarmos em perigo, longe Dele. O bebê que mama no peito abre um berreiro para avisar a mãe de que está com fome. Nós, devidamente crescidos, temos fome, fome de Deus e muitas vezes ficamos em silêncio, definhando.

O alimento de Deus é para consumo diário e não para estoque. No deserto Deus fazia chover pão do céu e garantiu que, diariamente, nunca iria faltar, e que por isso não guardassem para o dia seguinte. Eles teimaram e tudo apodreceu (Ex 16:20).

Não podemos cair no erro de achar que podemos fazer estoque do alimento de Deus. Ninguém fica saudável se virando sozinho. Na oração, que tanto é repetida, as pessoas pedem o pão nosso de cada dia. Então, que seja assim, dia após dia.

Ora, se Deus inventou o alimento, a fome e nos enviou o Pão da vida, porque deveríamos nós ficar sem comer? O Senhor se comparou a um alimento para mostrar que Ele é assim: mais do que necessário em nossas vidas.

A Palavra de Deus nos alimenta e saco vazio não para em pé!

“Venham sobre mim as tuas misericórdias, para que viva, pois a tua lei é a minha delícia” (Salmo 119:77).
Site MANT Belém

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