segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Crônica - Miojo nosso de cada dia

No começo do mês estava aqui preparando um texto pro blog. Parei e dei com a mão na testa quando lembrei o que estava no fogão. Era a água do meu miojo “queimando”, novamente. Desabafei: “Ô meu Deus, por que eu sou assim?” Olhando pra panela, como quem não quer nada, perguntei: “Senhor, é possível escrever um texto sobre miojo falando sobre Ti?” Perguntei em pensamento, meio curvadinha pra disfarçar o atrevimento, mas quando coloquei o macarrão as idéias começaram a fluir.

Ei! Deixe de preconceito contra o macarrão instantâneo, apelidado por muitos de “kinojo”. Claro que foi muito abuso da minha parte pedir essas coisas pra Deus, com tantos assuntos mais sérios na vida para que eu escrevesse. Mas o fato é que colou, logo, não custa nada ir até o final do texto. Juntando o útil ao agradável queria falar de algo que gosto e comprovar que tudo é possível na hora de levar a Palavra. Colou!

Me diverti com as idéias que foram surgindo naquele instante. A primeira, que explica resistência ao miojo, foi de que muita gente é um mero seguidor da Lei, como aqueles que resistiram de todas as formas aos ensinamentos de Jesus. Foram homens que, entre outros, preferiam seguir a risca a manutenção do descanso do sábado do que ter amor ao próximo. Os seguidores da Lei são como os que teimam em seguir a receita da embalagem, totalmente sem graça. Nada de três minutos, nem aquele exagero de água!

Seguindo a receita tradicional esquecemos da vida em abundância prometida com a vinda de Jesus. De gororoba improvisada o miojo pode virar uma grande refeição. Faço yakissobas maravilhosas, refogados, molhos e tudo mais, com apenas um pacote e muita criatividade. Abundância mesmo vem na minha receita preferida, com caldo de feijão!!! A receita é simples. Refogue na margarina alguns pedaços de cebola, pimentão e cenoura, acrescente a água sem exagero junto com duas colheradas de feijão. Quando ferver coloque o macarrão, o temperinho e uma pitada de sal. No finalzinho coloque um pouco de cheiro verde. O toque final vem com a “unção”, com um pouco de azeite. Se for corajoso tasque um ovo dentro e serás bem-aventurado.

Após essa receita vêm duas conclusões: ou essa menina gosta de verdade de miojo ou não tem tempo pra cozinhar outra coisa. Além de gostar de verdade o macarrão instantâneo quebra um “galhão” nas horas de aperto. Não parece coerente que um filho de Deus se apegue tanto a uma refeição considerada menor, pois o Senhor fala de banquetes na Palavra, com tudo do bom e do melhor. Como de costume, deixei o Senhor completar sozinho o restante da idéia do texto e liberar pra postagem.

Ele explicou o que eu não estava conseguindo. Sou uma pessoa abençoada porque me alimento de miojo. Sim, eu sou! Gosto de inventar receitas, mesmo quando a dispensa está cheia. Em outros momentos miojo é tudo o que tenho, na correria do dia-a-dia. Agradeço por esse macarrãozinho, não com espírito de pobreza, mas pelo que Ele me ensina.

Veio na mente o exemplo do maná, a comida do deserto. Era um cardápio repetitivo, com o mesmo gosto, durante anos e anos. Tudo bem que o povo sonhasse com os manjares da terra prometida (o “filé” dos dias atuais). Mesmo sendo do deserto (que, aliás, foi tema da palavra de ontem) aquela comida não era ruim. Tinha até gosto de mel. O mais importante – aquilo era provisão, era um cuidado do Senhor com o seu povo. Eles reclamavam, mas a provisão veio, dia após dia, sem falta.

Quem espera no Senhor toma posse das bênçãos que Ele promete. Para ter qualidade de vida muita gente sonha com carro, plano de saúde, e tudo mais. Mesmo não sendo mendiga eu sonho com comida. É isso mesmo! Algumas vezes eu almoço muito tarde e quando faço é correndo, sem mastigar direito meio que inconscientemente. Certa vez o estômago brigava comigo e fui na copa filar parte de uma marmita compartilhada por colegas de profissão. Como faltavam poucos minutos pro início de uma reunião extraordinária eu praticamente “inalei” a comida e antes das colegas piscarem eu já estava no auditório (crianças, não façam isso em casa).

Quando não sobrou tempo pra nada eu lembro: eu tenho miojo, obrigada. Não é um discurso em defesa dos famintos do mundo, pois não estou falando apenas de comida. Sonho com comida, que subentende qualidade de vida, tempo pra descansar, repor as energias. Também sonho com o tal filé (abundância, lazer, carro, bom salário). Mas não há como negar, eu já sou abençoada, pois eu tenho maná. Quem não sabe valorizar esse alimento nunca poderá se fartar num banquete. Não chegará nem na beira da mesa.

O meu miojo pode não parecer nada para quem têm tempo para comer fazendo a digestão com calma. O meu miojo pode não parecer nada para quem já é servido de banquete. O que temos agora pode ter gosto “manjado”, mas o dono da receita e das mãos que preparam a massa é imensamente generoso. Alguém que permite que eu aprenda sobre esse amor, olhando para uma panela, merece a minha eterna gratidão.
Site MANT Belém

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