sábado, 4 de abril de 2009

Crônica - Mãos à obra

Ele precisava de um milagre e sabia que Jesus tinha poder para lhe conceder isso. Sem pensar duas vezes o Salvador largou tudo o que estava fazendo e seguiu, para entrar em sua casa. Ah... pensou que eu estava falando do Zaqueu, né?! 

Nos últimos tempos está sendo comum ouvir a história desse publicano de baixa estatura, que chamou a atenção de Jesus em meio a multidão, subindo numa árvore. Inspirou até uma música que expressa o clamor oculto em seu coração: “entra na minha casa, entra na minha vida, mexe com a minha estrutura”. 

Agora imagine Jesus caminhando em direção a sua casa, e na mesma hora você compõe uma canção bem diferente. O objetivo é fazer o Senhor passar bem longe dali, e deixar sua vida do jeitinho que está. Como seria essa letra? Poderíamos perguntar isso ao centurião, citado na Bíblia (Lucas 7), a pessoa que citamos no início do texto.

O centurião tinha um servo, a quem estimava muito, que estava doente, a beira da morte. Por ter ouvido falar do Messias, enviou pessoas para levar o seu clamor a Jesus. Eram alguns anciãos dos judeus, que suplicaram, reforçando que o centurião era digno de receber a graça, pois era amigo do povo e havia edificado a sinagoga. 

Jesus seguiu para a casa do centurião, não pela propaganda, mas porque conhece os corações e já tinha um propósito com aquele episódio. Sabendo que o Salvador estava vindo ele mandou amigos para lhe dizer: “Senhor, não te incomodes, porque não sou digno de que entres em minha casa” (v6). O centurião precisava de um milagre, ouviu falar do Salvador, mas não foi até Ele, por não se julgar digno. 

... porém manda com uma palavra, e o meu rapaz será curado. Porque eu sou homem sujeito à autoridade, e tenho soldados às minhas ordens, e digo a este: vai e ele vai, e a outro: vem, e ele vem; e ao meu servo: faze isto, e ele o faz.” (v8). Admirado, Jesus disse aos que o acompanhavam: “Afirmo-vos que nem mesmo em Israel achei fé como esta” (v9).

Isso é que é fé. Mas lembrem-se: Jesus estava indo em direção aquela casa. Ele desejava entrar lá, da mesma forma como fez com Zaqueu, levando salvação (Lc 19:9). Jesus entrou na casa do publicano, e mexeu com sua “estrutura”. Há algum tempo percebi que o Senhor é um verdadeiro empreiteiro. Tudo começou quando descobri que Jesus tem uma pá. “Tu tens uma pá? Sim, tu tens uma pá... Uma pá! Por que tens uma pá Senhor?” 

Tá lá:a sua pá, ele a tem na mão e limpará completamente a sua eira” (Mt 3: 12). Uma pá é muito útil, principalmente nas obras, que acumulam lixo, entulho. Nós somos o ambiente dessa obra. Como empreiteiro o Senhor não deseja nenhuma porcaria pelo caminho, acumulada nos cantos, nem no pátio, nem no quintal. Com pá em mãos, Ele quer dar um fim no ódio, inveja, medos, prostituição, angústias, e todo tipo de porcaria que deixamos entulhada. 

Ele tem uma pá, e também um machado: “já está posto o machado à raiz das árvores; toda árvore, pois que não produz bom fruto é cortada e lançada ao fogo” (Mt 3:10). Parece assustador, mas o machado também salva. Os bombeiros o utilizam para derrubar paredes e portas, durante os resgates. Quando Jesus corta o que não presta, com esse mesmo machado, somos salvos dos pecados que nos aprisionam e nos conduzem à morte espiritual. 

Jesus expressa o desejo de fazer uma obra. Ele mesmo se coloca como material de construção, como a pedra principal, a angular, que precisa ser perfeita para garantir a firmeza da estrutura que está sendo construída (Lc 20:17). Jesus também é o terreno (o melhor), para que a casa seja firmada na rocha, que o vento não destrói (Lc 6:48).

A obra do Senhor é perfeita, mesmo que seja necessário fazer uma quebradeira, em todas as fortalezas, especialmente as da mente. “Destruímos argumentos e toda a pretensão que se levanta contra o conhecimento de Deus, e levamos cativo todo o pensamento, para torná-lo obediente a Cristo” (II Co 10:5). 

Cristo é demolidor: “vês estas construções? Não ficará pedra sobre pedra, que não seja derribada” (Mc 13:2). Não precisamos viver numa casa condenada pela Defesa Civil do Reino, onde tudo é fracasso. Jesus rasgou o véu do templo, para que pudéssemos ter acesso ao Pai (Mc 15:38). Depois reconstruiu "o templo" em apenas três dias, quando morreu, ressuscitou e deu cabo de todas nossas rachaduras, infiltrações, destroços. Fez tudo isso na cruz. 

Descobri, pela pá, que Jesus é esse empreiteiro.Entendes mesmo do assunto, né Senhor? E como és habilidoso” - “Também fui carpinteiro” - “Ah, é mesmo, já ia esquecendo, Senhor”. Quanta habilidade Ele tem. Quanto poder Ele tem. É chamado de Mestre, para toda boa obra. Ele tem o material, o terreno, sabe como fazer. Tem o Pai e o Espírito Santo na equipe técnica e anjos com a mão na massa. 

Ele já fez a planta, com um lindo projeto para cada um de nós. O centurião fez Jesus dar meia volta, com medo de mostrar a bagunça que estava sua casa. Estava cheio de pecados. Ignorou a vontade que o Senhor tinha de trabalhar, não apenas na vida daquele servo doente, mas também na dele. O centurião estava cheio de entulho. Mas Jesus tem a pá e muito mais. 

Jesus estava a caminho, não para passar com um trator por cima da casa. Ele ia começar tudo daquele jeito que só Ele sabe fazer. Ele tem mãos de trabalhador, que ao mesmo tempo são suaves. Assim, suavemente, Ele bateria antes de entrar: “Eis que estou à porta, e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo” (Ap 3:20). 

Depois disso é mãos à obra. Jesus é construtor, não apenas de casas, mas de tabernáculos, templos, onde Ele mesmo pode habitar, fazer morada, dentro de nós. “Já está pronto Senhor?

E os sacerdotes não podiam permanecer em pé, para ministrar, por causa da nuvem; porque a glória do Senhor encheu a casa de Deus” (II Cr 5:14).
Site MANT Belém

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