segunda-feira, 20 de julho de 2009

Crônica – Assando a caça

“O preguiçoso deixa de assar a sua caça...” (Provérbios 12:27).

Era uma vez um caçador que deixou de assar a sua caça. Certamente isso não inspiraria nenhum roteiro de filme, mas é uma história importante. Assar a caça... Isso tem a ver com churrasco? É uma comédia? Ou seria um conto para fazer os filhos dormirem, quem sabe?

Você pode se perguntar: “e daí se o cara não quis assar a caça? O que tem demais?” Não que eu queira me meter na vida dele, mas ao me deparar com esse versículo percebi um tom de gravidade em algo aparentemente sem importância. Foi assim que tentei visualizar a cena e entender o que Deus estava me falando.

Digamos que você compre, hoje, dois quilos de carne no supermercado. Por um motivo qualquer decide mudar o cardápio do almoço e guardar a carne na geladeira, para cozinhá-la no dia seguinte. Normal.

O caçador em questão jamais poderia fazer isso, afinal, não havia geladeira. Aliás, não havia formas de conservar a carne. Por isso era necessário caçar todos os dias para matar a fome da família inteira. Não havia escolha, era caçar ou caçar. Aquela carne deveria ser consumida em apenas um dia, senão iria estragar.

A rotina do caçador era puxada, começando ainda de madrugada. Os caçadores sabem o que é esforço e dedicação. Imagine o que um caçador precisa enfrentar:

Longas caminhadas. Terrenos difíceis. Desbravar o mato. Enfrentar o sol escaldante. Fazer armadilhas. Ter habilidade com as armas. Muita atenção. Instinto. Técnicas de camuflagem. Muita paciência para encontrar a caça. Velocidade. Coragem para encarar bichos ferozes. Força para lançar, bater, puxar.

O esforço teve resultado. O caçador coloca o pesado animal nos ombros e enfrenta um longo caminho de volta ao lar.

Chegando em casa, sem mais nem menos, ele deixa de assar a sua caça. Simples. “Como assim? Que absurdo”, nos indignamos. É isso que o Senhor nos mostra: um absurdo.

Qual é a sua caça? Caça não é apenas um animal abatido. A nossa caça e algo conquistado com muito esforço. Algo muito desejado. Algo que esperamos por muito tempo. Daí me perguntei quais eram as caças que eu não assei e porque não havia assado.

A Palavra fala em preguiça. É algo que não está relacionado apenas com vadiagem, mas também com moleza. Ou seja, a firmeza para manter e completar algo. O que nos faz perder a firmeza?

Eu durmo pra caramba e demoro temporadas para arrumar o meu quarto, mas não foi isso que me incomodou. Percebi que a palavra chave desse pequeno trecho de Provérbios é conclusão.

Sonhamos com a caça. Coisas do tipo: “Ah, se Deus me desse essa vitória”. “Se eu conseguir comprar isso tudo vai melhorar”. “Quando eu chegar nesse nível será tudo mais fácil”. “Ah, como vai ser bom quando eu conquistar isso”.

Tomamos posse das promessas: “Entrega o teu caminho ao Senhor; confia nele, e no mais ele fará” (Sl 37:5). Sim, nós confiamos!

“Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou” (Romanos 8:37). Sim, nós somos!

Essa Palavra não fala de algo que vamos conquistar, mas de algo que já está em nossas mãos, pois Ele nos deu. Descobri que a vitória é algo incompleto que Deus nos dá. Não estou afirmando que o Senhor é imperfeito. Mas a vitória só é completa quando se usufrui da conquista. Isso é algo que Deus não pode fazer por nós, sem que isso nos seja desejável.

Você já viu algum jogador de futebol (ao menos que seja um búlgaro), fazer um gol e retomar o jogo na mesma hora? Claro que não! Antes tem a dancinha, o salto, os abraços, a corrida pelo campo, para a torcida.

Às vezes a alegria é a conclusão da vitória. Deus nos dá a vitória, mas, semelhante ao caçador, muitas vezes não fazemos nem a nossa parte (a mais fácil), que é nos alegrarmos, sermos gratos. Algumas vitórias já passaram em minha vida, sem merecer um sorriso sequer. A caça estragou.

Sabe aquela caça agarrada na unha? Aquele sonho? Aquele desejo de levar a Palavra de Deus às pessoas? Aquele empecilho? Aquela dificuldade? Aquilo que parecia inalcançável?“Meu filho, está aqui a tua caça – Ah, tá, deixa aí em qualquer canto”.

Deus nos dá muitas vitórias. Cada vitória é uma caça, uma etapa que precisa ser concluída. Não podemos deixar que a nossa caça vire comida de fungo. São vitórias que precisamos ter firmeza para concluir, pois foram alcançadas “por meio daquele que nos amou”.

A conclusão é para que o nome Dele seja glorificado em nossas vidas. Para que digam: “aí vai um vencedor, que serve ao Deus Vencedor”. É para que a vitória seja Dele, através Dele e volte para Ele (Rm 11:36). Uma caça que não foi assada não pode voltar para Ele.

Deus nos faz caçadores e Ele mesmo coloca a caça em nossas mãos. Pode ter sido o cansaço, a distração, o desleixo, o desânimo, a insensibilidade ou até mesmo a preguiça – só que não há mais tempo a perder: o caçador precisa assar a sua caça! Vou cuidar da minha!

“O preguiçoso deixa de assar a sua caça, mas ser diligente é o precioso bem do homem” (Provérbios 12:27).
Site MANT Belém

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